Ministro confirma auditoria chinesa em frigoríficos brasileiros na próxima semana

O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou à CNN nesta sexta-feira (11/9) que uma missão técnica da China virá ao Brasil na próxima semana para auditar frigoríficos e o sistema sanitário nacional. A informação, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente pelo ministério.

Segundo o ministro, há expectativa de anúncio de reabilitação de plantas de carne bovina que estão com vendas suspensas para o mercado chinês e de avanços na habilitação de novas unidades. “Esperamos reabilitar algumas plantas que foram temporariamente descredenciadas e habilitar novas plantas”, disse.

Procurado, o Ministério da Agricultura não confirmou a visita nem deu detalhes sobre a agenda. Fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que Pequim ainda não confirmou oficialmente a auditoria e que as passagens dos técnicos sequer foram compradas.

A auditoria, conforme apurou a reportagem, não será focada apenas no segmento bovino. Os chineses devem visitar também plantas de aves e suínos, laboratórios e fazendas. A previsão é que a missão ocorra entre 19 e 28 de setembro.

Ao menos três frigoríficos exportadores de carne bovina serão auditados: a unidade da JBS em Vilhena (RO), suspensa desde maio; a planta da Minerva em Rolim de Moura (RO); e a da Marfrig em Promissão (SP).

A lista de plantas bovinas suspensas inclui ainda JBS de Pontes e Lacerda (MT), Prima Foods em Araguari (MG), Frialto em Matupá (MT) e SulBeef em Várzea Grande (MT). No setor de aves, a Copacol, de Cafelândia (PR), está impedida de comercializar carne para a China. Não há bloqueios atuais para frigoríficos de carne suína.

O principal motivo das suspensões temporárias é a identificação de resíduos em cargas que chegam aos portos chineses. Nesta sexta-feira, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) enviou ofício alertando para a recorrência de notificações da Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) sobre “violações de requisitos sanitários relacionados à detecção de resíduos em produtos de origem animal exportados pelo Brasil”.

O órgão deu 10 dias para que os estabelecimentos habilitados a exportar carne bovina façam ajustes em seus programas de autocontrole. Entre as exigências estão a revisão das análises de perigos relacionados a resíduos de medicamentos veterinários, antiparasitários e outras substâncias, e o aprimoramento dos procedimentos de qualificação e monitoramento dos fornecedores de animais.

O Dipoa também determinou que os frigoríficos adotem mecanismos de verificação da confiabilidade das informações prestadas pelos fornecedores. Segundo o departamento, a declaração ou Carta de Garantia não deve ser, isoladamente, a única medida de controle quando a análise de risco indicar a necessidade de verificações adicionais.

Na entrevista, André de Paula disse ainda esperar anúncios “muito positivos” em relação ao início das exportações de miúdos. Neste ano, a China reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, o que abre caminho para a abertura desses mercados e para futuras habilitações de plantas.

Deixe um comentário

Powered by Joinchat
Anunciar grátis