O professor Paulo Vicente Alves, da Fundação Dom Cabral, participou do evento Arena Impacto, promovido pela Globo Rural e Valor Econômico em parceria com a Solinftec, e defendeu que a atual revolução tecnológica vai muito além da inovação: ela se torna cultural, econômica e política. Segundo ele, as mudanças tecnológicas alteram hábitos de vida, reorganizam o consumo e transformam a atuação política das sociedades.
Alves explicou que toda grande revolução tecnológica começa como uma revolução cultural, modificando a forma como as pessoas vivem e percebem o tempo. Em seguida, ela se torna econômica, ao remodelar hábitos de consumo e reequilibrar setores. Por fim, atinge a esfera política, alterando a maneira como indivíduos e sociedades se organizam politicamente.
“Essas quatro dimensões vão se alterar”, afirmou, referindo-se ao momento atual. Ele projeta que o auge dessa revolução ocorrerá na década de 2040. Utilizando modelos históricos e matemáticos, o professor mapeia os ciclos tecnológicos dos últimos 250 anos e destaca que as crises são o motor dessas transformações. “Um modelo econômico se esgota e leva à busca por uma saída por meio da inovação”, disse.
Segundo Alves, o mundo vive o sexto ciclo, iniciado em 2018 e com término previsto para 2030. O momento presente é o auge da crise, mas a tendência é de melhora nos próximos quatro anos. Ele alerta que a tecnologia destrói setores e gera desemprego, mas, em seguida, cria novas empresas e mais empregos — desde que haja qualificação. “Como vou treinar pessoas para o que ainda vai vir? Não consigo. Então, as pessoas precisarão aprender a aprender”, concluiu.
O evento Arena Impacto também contou com debates sobre o uso de inteligência artificial no agronegócio e a importância de colocar as pessoas no centro das inovações.