O uso rigoroso e assertivo da tecnologia no campo: como o produtor está exigindo mais

Com crédito seletivo, custos elevados e margens pressionadas, o agricultor não deixou de investir em tecnologia, mas passou a exigir mais dela. A análise ficou mais rigorosa: o produtor não avalia uma tecnologia apenas pelo resultado de uma área da lavoura. Ele observa a resposta da lavoura, o comportamento diante do clima, a compatibilidade com o manejo e a segurança de encontrar o mesmo padrão de qualidade na próxima compra.

As mudanças climáticas tornam esse trabalho mais complexo. Temperatura e umidade interferem na sobrevivência e na atividade dos microrganismos. O mesmo produto pode responder de maneira diferente sob calor excessivo, solo seco ou chuva intensa. Ensaios conduzidos apenas em condições favoráveis já não bastam. Agora, é preciso testar em mais ambientes, comparar safras e conhecer os limites de cada tecnologia.

Outro erro que pode tornar ainda mais complexa a gestão do solo é colocar químicos e biológicos em lados opostos. O produtor não administra uma disputa entre categorias, mas um sistema produtivo. Em muitos casos, a melhor resposta está na integração das ferramentas, combinando velocidade de controle, diferentes mecanismos de ação e menor pressão de seleção por resistência.

Os bioinsumos tampouco corrigem, sozinhos, todos os problemas de uma área ou anulam os efeitos de uma seca severa. Mas podem integrar estratégias de maior resiliência, pelo fortalecimento radicular, pela absorção de nutrientes, pelo controle de patógenos ou pelo apoio às respostas fisiológicas das plantas ao estresse. Esse efeito depende do microrganismo, da formulação, do posicionamento e das condições da lavoura. Associar qualquer produto biológico, de forma genérica, à resiliência climática simplifica uma discussão que precisa ser técnica.

Não se trata de produzir mais, pois a capacidade industrial sem controle de qualidade amplia o risco em maior escala. Pesquisa precisa partir de problemas agronômicos concretos e chegar ao campo com protocolos que mostrem onde está o benefício e até onde ele vai. E essa relação com o produtor é decisiva. Muitas vezes, a recomendação mais responsável não é acrescentar um produto, mas rever o posicionamento, a aplicação ou algum fator do sistema que esteja limitando a resposta. É nesse contato que a indústria também aprende.

*Sheilla Albuquerque é CEO da Vitalforce. As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de sua autora.

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