O Brasil se destaca como o maior exportador líquido mundial de commodities alimentares e agrícolas, com uma cadeia produtiva robusta que abrange soja, café, proteínas animais, açúcar, entre outros. No entanto, segundo análise do Rabobank, o país enfrenta desafios significativos para consolidar sua posição futura no mercado global. O estudo aponta que o caminho para um crescimento resiliente passa pela redução da dependência de insumos agrícolas importados e pela diversificação dos destinos de exportação e dos produtos comercializados.
Atualmente, a China é o maior destino individual das exportações brasileiras de alimentos e agrícolas, respondendo por cerca de 33% do valor total. Juntos, União Europeia e Estados Unidos representam 54% dessas exportações. Essa concentração geográfica é um ponto de vulnerabilidade, como demonstrado recentemente pelas cotas de carne bovina impostas pela China em 2026. Em 2025, o país asiático importou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, equivalente a 48% das exportações totais do Brasil. A cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas para 2026 pressiona os exportadores a redirecionar um volume significativo para outros mercados.
O Rabobank enfatiza a importância de aprofundar o relacionamento com parceiros comerciais estratégicos, compreendendo suas prioridades para antecipar mudanças em políticas agrícolas e comerciais. Além disso, a diversificação de produtos pode ser uma saída. Um exemplo citado é o crescimento das exportações de grãos secos de destilaria (DDG), coproduto do etanol de milho, que ganhou acesso a 21 destinos internacionais desde 2023.
No longo prazo, as projeções demográficas indicam que o crescimento populacional será impulsionado por regiões como África, Oriente Médio e Sudeste Asiático, enquanto China e União Europeia devem encolher. Isso pode refletir na redistribuição da demanda global por commodities agrícolas. O Brasil continua avançando na abertura de novos mercados, apoiado por acordos como UE-Mercosul, Mercosul-EFTA e Mercosul-Singapura.
Outro ponto crítico é a dependência de insumos agrícolas importados. Cerca de 80% dos fertilizantes e defensivos utilizados no Brasil são importados, e as importações respondem por 25% a 30% do consumo de diesel. O estudo alerta que a transição geopolítica para um ambiente mais fragmentado traz implicações para o comércio internacional, citando o conflito no Oriente Médio como exemplo de choques de preços.