Safra 2025/26: queda na produção de arroz e feijão e seus efeitos nos preços ao consumidor

O último levantamento da safra 2025/26, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), confirmou uma tendência já esperada: enquanto a produção de soja e milho atingiu recordes, o Brasil colheu menos arroz e feijão, dois alimentos essenciais na mesa do brasileiro.

A produção de arroz somou 11 milhões de toneladas, uma queda de 13,2% em relação à safra anterior, reflexo direto da redução de 14% na área plantada, que totalizou 1,5 milhão de hectares. Já o feijão teve queda de 3,6%, com produção de 2,9 milhões de toneladas, influenciada pela retração de 5,7% na área cultivada, que ficou em 2,5 milhões de hectares.

Apesar dos números, a Conab garante que a oferta interna será suficiente para abastecer o mercado e ainda permitir exportações. Mas como essa redução impacta o bolso do consumidor?

Preços: arroz estável, feijão em alta

De acordo com o IPCA, o arroz não apresenta tendência de valorização neste momento. No acumulado do ano, o cereal registrou leve alta de 0,4%, mas em 12 meses a queda chega a 8,8%. O professor Felippe Serigati, da FGV Agro, explica: “Estamos vendo o arroz num processo de tentar voltar para o ponto de equilíbrio. Ainda estamos tendo de gerir contração, mas são contrações que estão ficando menores. Isso é uma boa notícia, o mercado está se ajustando”.

Já o feijão ficou mais caro em 2026. O feijão carioca acumula alta de 42,3% no ano, embora a última variação mensal tenha registrado queda de 4,8%. O feijão preto subiu 25,8% no acumulado, com pequena redução de 0,6% no último mês. Serigati avalia: “É uma alta significativa no ano, mas se tivéssemos uma situação em que o mercado estivesse desequilibrado, não estaríamos vendo essa contração na variação mensal”.

Variação de preços (IPCA/IBGE)

  • Arroz: Agosto +1,34% | Ano +0,39% | 12 meses -8,85%
  • Feijão preto: Agosto -0,63% | Ano +25,85% | 12 meses +19,98%
  • Feijão carioca: Agosto -4,82% | Ano +42,30% | 12 meses +44,17%

O que explica a queda na produção

A redução na produção de arroz e feijão está ligada ao achatamento dos preços pagos aos produtores, que reduziram a área plantada. Segundo o Indicador Cepea/Irga, a saca de 50 kg de arroz em casca valia mais de R$ 120 em meados de 2024. Quando o plantio da safra 2025/26 começou, em setembro do ano passado, a cotação havia caído pela metade. Esse movimento está relacionado ao excedente de oferta da safra 2024/25, que superou 12 milhões de toneladas.

“Isso gerou um excedente de oferta muito grande, que derrubou bastante os preços ao produtor”, explica o gerente de fibras e alimentos básicos da Conab, Gabriel Corrêa. Nas últimas semanas, houve reação: o preço da saca subiu para R$ 80.

No caso do feijão preto tipo 1, a saca de 60 kg chegou a R$ 350 em setembro de 2024 na metade sul do Paraná. Um ano depois, o valor caiu para R$ 117.

Perspectivas para a safra 2026/27

A Conab também divulgou estimativa preliminar para a próxima safra, com previsão de nova queda na produção de arroz e feijão. O arroz deve ter ligeiro aumento de área (0,9%), mas produção de 10,7 milhões de toneladas, redução de 2,9%. “Lá no início das nossas projeções essa queda era um pouco maior, mas o preço do arroz vem se recuperando nas últimas semanas”, afirma Corrêa.

O feijão deve manter produção em torno de 2,9 milhões de toneladas, com queda prevista de 0,7%. O feijão de segunda safra é o único item com redução de área esperada (-1,9%). O presidente da Conab, Silvio Porto, ponderou que a queda pode não se confirmar: “Como a segunda safra é plantada em dezembro, vamos ver como as condições climáticas e o preço, que está atrativo, poderão vir e inclusive modificar essa tendência”.

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