Um mapeamento divulgado neste mês pelo Mapbiomas revela que 2.172 localidades da Amazônia — incluindo Amazonas, Pará e outros estados inseridos no bioma — estiveram altamente expostas à seca durante o El Niño de 2024. Esse número equivale a 38% dos territórios mapeados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon e integrante da equipe da Amazônia do MapBiomas, afirma que, embora o levantamento seja baseado em dados de 2024, ele pode servir como parâmetro para entender os efeitos do fenômeno climático previsto para este ano. “Para 2026, a probabilidade de ocorrer seca nessas localidades novamente é alta, principalmente porque o El Niño previsto é mais severo do que foi em 2024”, explica.
O pesquisador observa que eventos climáticos extremos têm se tornado frequentes na Amazônia. “Ocorreram em 2023, em 2024, mas antes já tinham ocorrido em 2015 e 2016.” De acordo com o mapeamento, as cinco localidades mais expostas estão no sul do Amazonas, na divisa com Mato Grosso, e em Santarém, no Pará. “Aquela região de Santarém, do Rio Tapajós e do Rio Amazonas sofreu bastante”, acrescenta.
Segundo Bruno Ferreira, o levantamento do Mapbiomas é uma ferramenta essencial para orientar as ações do poder público diante dos efeitos esperados para o El Niño deste ano. “Agora que sabemos mais ou menos as localidades que vão sofrer mais o efeito da estiagem, podemos direcionar melhor nossos esforços para uma adaptação climática mais eficaz”, conclui.