Depois de seis anos consecutivos no topo do ranking nacional de valor de produção agrícola, o município de Sorriso (MT) perdeu a liderança. Em 2025, quem assumiu o primeiro lugar foi Sapezal, também em Mato Grosso, que gerou R$ 8,6 bilhões em produção agrícola, um avanço de 46,6% em relação ao ano anterior. Os dados são da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o pesquisador do IBGE, Henrique Noronha, o desempenho de Sapezal foi puxado pelo aumento expressivo na colheita e no valor da produção de algodão, soja e milho. Somente o algodão herbáceo gerou cerca de R$ 5,1 bilhões no município. A soja respondeu por R$ 2,8 bilhões, com alta de 51,4% na produção, enquanto o milho avançou 58,1%, chegando a R$ 656,9 milhões. A cultura do feijão também se destacou, com crescimento de 43,5% na área colhida e valor de R$ 13,8 milhões.
Já Sorriso, que liderou o ranking entre 2019 e 2024, caiu para a terceira posição. Um dos motivos foi a perda de território para a criação do novo município de Boa Esperança do Norte, que incorporou 20% das terras de Sorriso e 80% de Nova Ubiratã. Com isso, a área plantada em Sorriso recuou 9,3% em 2025, com quedas de 8,3% na soja, 10% no milho, 19,7% no algodão e 16% no feijão.
A segunda colocação no ranking nacional ficou com São Desidério (BA), que gerou R$ 8,2 bilhões em 2025, um aumento de 23,8% em relação ao ano anterior. Sorriso, agora com território reduzido, registrou R$ 8,1 bilhões, alta de 13,8%.
Em termos regionais, o Centro-Oeste liderou o valor da produção agrícola em 2025, com R$ 288 bilhões, seguido por Sudeste (R$ 271 bilhões), Sul (R$ 181,1 bilhões), Nordeste (R$ 113,7 bilhões) e Norte (R$ 73,4 bilhões). Mato Grosso permaneceu como o estado de maior destaque, representando 17,9% do total nacional, com R$ 165,97 bilhões, um crescimento de 37,1% sobre 2024.
O resultado favorável foi impulsionado pelo aumento da demanda por soja e milho, especialmente após a guerra tarifária entre Estados Unidos e China, que levou o país asiático a ampliar as compras da oleaginosa brasileira. No caso do milho, a procura cresceu por causa da expansão da produção de ração animal e do uso do cereal na fabricação de etanol.