Cota chinesa de carne bovina pode esgotar em março ou abril de 2027, alerta Abiec

As exportações brasileiras de carne bovina para a China dentro da cota de 2027 podem se esgotar já em março ou abril, antes do que ocorreu neste ano, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. A projeção leva em conta o ritmo médio das vendas e a possibilidade de não haver distribuição da cota entre as empresas exportadoras, o que intensificaria a competição e aceleraria os embarques.

Em 2027, a cota destinada ao Brasil terá um acréscimo de 22 mil toneladas, totalizando 1,128 milhão de toneladas, contra 1,106 milhão neste ano. Apesar do aumento, a Abiec alerta que o fim precoce da cota pode prolongar o período de dificuldades para o setor, que já enfrenta três meses consecutivos sem vendas ao mercado chinês.

“Estamos passando três meses duríssimos. Sem as cotas, facilmente poderíamos ter atingido 2 milhões de toneladas para a China. Teve algum alento, como a cota americana, mas isso não viabiliza uma substituição automática”, afirmou Perosa. “Se a cota de 2027 se esgotar entre o fim de março e abril, significa sair de três meses para seis meses de sufoco.”

O executivo destacou que a China mantém elevados estoques de carne bovina e está no pico da produção de carne suína, o que pode reduzir o apetite por importações. “Isso ainda é um enigma”, ponderou.

Além da perda de um destino importante para o dianteiro do boi, que afeta o planejamento das plantas e a precificação, muitas empresas brasileiras dependiam do pagamento adiantado de importadores chineses como capital de giro. A Abiec continua discutindo com o governo federal a possibilidade de arbitrar a cota, distribuindo volumes conforme a participação de mercado, mas até agora não houve sinalização positiva.

Por outro lado, a missão chinesa que deve começar neste fim de semana pode habilitar novas plantas frigoríficas brasileiras, além de visitar unidades já habilitadas que foram suspensas e produtoras de miúdos. Sobre a abertura dos mercados do Japão e da Coreia do Sul, Perosa informou que as visitas sanitárias já ocorreram e que os processos agora são documentais.

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