Renegociação de dívidas rurais atinge R$ 3,6 bilhões em dois meses, mas setor cobra mais agilidade

Dois meses após a publicação da Medida Provisória 1.376/2026, as renegociações de dívidas rurais somaram cerca de R$ 3,6 bilhões em todo o país. O número representa pouco mais de 12 mil operações, envolvendo mais de 20 mil contratos, segundo balanço do Ministério da Fazenda apresentado na Câmara Temática de Crédito, Seguro e Comercialização do Agronegócio (Modercred).

O governo estima que o potencial de enquadramento na MP chegue a R$ 120 bilhões. Desse total, cerca de 17% está concentrado no Rio Grande do Sul, estado que enfrentou intempéries climáticas consecutivas no período analisado (2019-2025). Para acessar a renegociação, o produtor precisa comprovar duas ou mais perdas superiores a 30%.

A taxa média de juros das operações pré-fixadas ficou em 8,61% ao ano, com prazo médio de nove anos e ticket médio de R$ 302 mil. O Sicredi lidera as contratações, com R$ 2,1 bilhões, seguido pelo Banrisul (R$ 1,35 bilhão). Cresol, Banco do Brasil, Sicoob, Caixa, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Bradesco e Credicoamo também aparecem na lista.

Do total renegociado, R$ 1,9 bilhão veio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). Outros R$ 1,1 bilhão são de demais produtores, e R$ 625 milhões do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Em relação à origem dos débitos, R$ 2,2 bilhões são de operações de custeio e R$ 888 milhões referem-se a novas renegociações de contratos já tratados pela MP 1.314/2025. Comercialização e investimentos somam R$ 25,7 milhões e R$ 11,8 milhões, respectivamente.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticou o ritmo lento das contratações. “É preocupante que, mais de dois meses após a publicação da medida, tenhamos pouco mais de R$ 3 bilhões contratados. Mesmo o Banco do Brasil, instituição com a maior carteira de crédito rural do país, apresentou baixo volume de operações”, afirmou Guilherme Rios, presidente da Modercred e coordenador de Produção Agrícola da CNA. A entidade aponta entraves no acesso dos produtores ao crédito nas instituições financeiras.

Em agosto, o governo autorizou a contratação de R$ 25,8 bilhões em operações equalizadas e limitou em 40% o cumprimento da exigibilidade dos recursos obrigatórios com a renegociação, para não comprometer novas concessões de crédito. O Ministério da Fazenda espera que as operações fluam após recentes alterações nas normas.

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