O consumo de café no Brasil cresceu 2,29% no acumulado de janeiro a agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Em volume, foram consumidas 13,68 milhões de sacas de 60 quilos. O levantamento foi apresentado nesta terça-feira (22/9).
No segundo quadrimestre do ano (maio a agosto), a alta foi ainda mais expressiva: 4,65% ante igual intervalo de 2025, indicando aceleração no ritmo de consumo. Nos primeiros quatro meses, o aumento havia sido de 2,44%. Entre maio e agosto, o volume consumido somou 7,02 milhões de sacas.
De acordo com o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, o resultado positivo está associado a uma combinação de fatores. “A partir de junho, houve maior tranquilidade no abastecimento por parte da indústria, o que converge com os preços e com a evolução do consumo”, afirmou. Ele destacou a normalização da oferta tanto de café arábica quanto de robusta/conilon.
Outro fator importante foi a redução dos preços ao consumidor. Em agosto de 2026, o valor médio do café torrado e moído nas variedades tradicional e extraforte caiu 21,22% em relação ao mesmo mês de 2025, passando de R$ 62,83 para R$ 49,50 o quilo. Em maio deste ano, o preço estava em R$ 55,42 o quilo. A exceção ficou por conta do segmento de cápsulas de dose única, que registrou alta de 7,73% no valor equivalente ao quilo entre maio e agosto.
O presidente da Abic, Pavel Cardoso, destacou que a indústria aposta em inovação para estimular a demanda, com lançamentos como bebidas prontas, café gelado e barras de proteína saborizadas. “Enxergamos nossas prateleiras se enchendo de café gelado, fazendo essa contraposição de consumo no verão com esse produto que é bastante aguardado pelo consumidor”, afirmou.
Em relação ao clima, Cardoso ponderou que os efeitos do El Niño sobre a produção de café são acompanhados com cautela. “As floradas estão mais intensas, o que é positivo, mas a situação não permite deixar de lado a cautela.” Ele estima que, para a safra de 2027, haverá maior pressão de oferta de café arábica devido à bienalidade negativa dos cafezais, enquanto o conilon/robusta deve ganhar força.
Diante da volatilidade dos preços nos últimos anos, a indústria reduziu a cobertura de estoques. Segundo Cardoso, a formação de estoques, que antes ficava entre 8 e 12 semanas de suprimento, pode ter caído para algo entre 4 e 7 semanas, embora a Abic não tenha registros precisos sobre essa estratégia, que é individual de cada empresa.