Juan Valdez acelera no Brasil: nova loja em Guarulhos e planos de 100 unidades até 2028

A rede colombiana de cafeterias Juan Valdez está intensificando sua presença no mercado brasileiro. Em outubro, a marca inaugura uma loja de 130 metros quadrados na área de embarque do Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), com expectativa de realizar mais de 17 mil atendimentos por mês.

“Entendemos que a marca tem tanta potência que conseguimos em pouco tempo um ponto em Guarulhos, lugar concorrido e com uma vitrine incrível”, afirmou Bruno Oliveira, CEO da empresa no Brasil. A abertura marca o que o executivo chama de “segunda fase” da expansão, após um ano de testes com a primeira unidade, inaugurada em dezembro de 2025 no Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto (SP).

A companhia planeja fechar 2026 com dez lojas físicas. Além de Guarulhos, o calendário do segundo semestre prevê um quiosque de 45 m² em um shopping de Foz do Iguaçu (PR), em setembro, e uma loja de 300 m² no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, entre outubro e novembro. A meta declarada é chegar a 100 lojas em dois anos e a 300 em cinco anos, sempre por meio de franquias.

O avanço coincide com um momento favorável para o setor de alimentação fora do lar. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o faturamento do segmento cresceu 15,6% em 2025 e 14,4% no primeiro trimestre de 2026. As cafeterias representam 11% das redes de franquias de alimentação do país e estão entre as três categorias que mais cresceram no período recente.

No Brasil, a Juan Valdez opera por meio de uma sociedade formada em 2025. Investidores brasileiros, reunidos na Fratria (gestora da família controladora do grupo SEB, que também administra a rede de sorveterias Gelateria Borelli), detêm 70% do controle; os 30% restantes pertencem à Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia, dona da marca. A sinergia com a Borelli já gera franqueados: o operador da futura loja do Itaim Bibi vem justamente da rede de sorveterias.

Além do varejo físico, a estratégia inclui o comércio eletrônico. Neste mês, a Juan Valdez lança vendas em parceria com o TikTok Shop, com uma embalagem exclusiva de café solúvel liofilizado voltado ao público jovem. “O liofilizado é um solúvel de altíssima qualidade, que retém as características do café”, explica o diretor. A linha Mulheres Cafeicultoras, que reúne a produção de mil agricultoras colombianas, já está disponível nas lojas brasileiras.

A rede também negocia a retomada de vendas para supermercados regionais e amplia as vendas corporativas para hotéis e restaurantes. Globalmente, esse canal responde por 13% da receita da marca, patamar que a operação brasileira usa como referência para os primeiros anos.

Na loja de Ribeirão Preto, o tíquete médio fica entre R$ 44 e R$ 46, e o custo da mercadoria vendida varia entre 30% e 40%, próximo da média do setor. Com as dez lojas previstas para o fim do ano, a empresa projeta vendas de cerca de R$ 200 mil por loja ao mês, totalizando R$ 2 milhões mensais. Para sustentar a meta de 100 lojas até 2028, a rede trabalha com um portfólio que prevê cerca de 40 novas unidades em 2027 e outras 60 em 2028, concentradas nas regiões Sudeste, Sul e Norte.

Apesar do cenário de juros elevados e pressões sazonais, Oliveira afirma que a rede está “mais otimista do que a média”, apostando em um segmento premium que cresce em dois dígitos. “O consumidor está se permitindo experimentar sabores diferentes e pagar por isso – e o desembolso, no caso do café, é muito menor”, compara.

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