Primeiro banco de dados de tornados do Brasil é criado por pesquisadores; áreas rurais lideram ocorrências

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), conhecidos como “caçadores de tornados”, estão finalizando o primeiro observatório brasileiro dedicado exclusivamente ao registro e estudo desses fenômenos. A plataforma, batizada de Observatório de Tornados do Paraná, deve entrar no ar em outubro de 2026, segundo a professora Karin Hornes, do Departamento de Geociências da UEPG.

Atualmente, o Brasil não possui um banco de dados oficial focado em tornados. Em um levantamento recente, o grupo catalogou 756 ocorrências no país entre 1927 e 2025. As áreas rurais foram as mais atingidas: 207 tornados ocorreram exclusivamente em zonas rurais, 199 em áreas urbanas e 71 em regiões de transição; outros 279 não tiveram localização precisa registrada.

Entre os episódios mais graves está o tornado que atingiu Palmas, na divisa entre Paraná e Santa Catarina, em 1959, deixando mais de 90 mortos. Somente em 2026, o Paraná registrou 13 tornados, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental (Simepar). Em quase todos, as áreas rurais foram impactadas. Em Piraí do Sul (PR), um tornado com ventos superiores a 330 km/h, em agosto de 2026, causou prejuízos de R$ 10 milhões para produtores rurais e danificou 45 casas.

Karin Hornes destaca que, além da documentação de estragos, o grupo coleta depoimentos de vítimas e faz registros fotográficos e em vídeo. “É muito importante aprender a documentar esse tipo de perda para facilitar o acesso a recursos, auxílios e seguros”, afirma. A pesquisadora orienta que, em propriedades rurais, construções como casas, granjas e estábulos devem ser planejadas com estruturas reforçadas. “Estar na área rural em eventos extremos exige pensar em salvar não só vidas humanas, mas também os animais”, alerta.

O Brasil, depois das pradarias centrais norte-americanas, é a segunda região mais propícia a tornados no mundo, especialmente Argentina, Paraguai e o Sul do Brasil. No país, o Rio Grande do Sul lidera, seguido por Paraná e Santa Catarina. O observatório digital reunirá dados, indicadores e pesquisas para tornar as informações mais acessíveis, além de prever ações de extensão para orientar a comunidade. A UEPG conta com parceria da Universidade de Oklahoma e da NOAA para analisar os eventos por meio de imagens de satélite.

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