O sucesso da restauração florestal não depende apenas de recursos financeiros e organização da cadeia produtiva, mas também da pesquisa, do desenvolvimento de tecnologias e da valorização de conhecimentos ancestrais. A afirmação é de Hudson Freire Laviola Filho, biólogo e viveirista responsável pela Fazenda Anauá, em Caravelas (BA), que mantém um viveiro de árvores nativas.
“Podemos ter muitos bilhões em dinheiro para reflorestar, mas o resultado depende do que fazer com isso. Se não direcionar bem, não se faz muita coisa”, alerta. Para ele, a chave para acelerar a restauração florestal e mitigar a crise climática global é “imitar a natureza” — tarefa que não é simples.
Laviola Filho destaca que o setor precisa aprender mais com os saberes populares. “O acesso ao conhecimento popular e ancestral tem nos dado resultados até superiores aos da academia. A diversidade é muito grande e cada espécie tem um cuidado especial, um segredo a desvendar. E o conhecimento popular nos ajuda muito nisso”, explica.
Um erro comum em projetos de restauro é plantar uma grande diversidade de espécies logo de início. Segundo o biólogo, já houve iniciativas que tiveram que reduzir a diversidade devido a dificuldades em campo. “Não é que a gente quer pouca diversidade, mas a floresta começa com poucas plantas, adaptadas àquela condição. Aquelas plantas criam caminho para as outras.”
Ele também defende maior integração com universidades. “Se não houver integração com universidades, o avanço não vai ser tão eficaz quanto gostaríamos.”