GSI mira agroindústrias para compensar retração no mercado de armazenagem de grãos

Para contornar o ambiente de cautela dos produtores rurais brasileiros em relação a investimentos nas fazendas, a GSI, especializada em equipamentos para armazenagem de grãos, está direcionando sua estratégia para atender a demanda crescente das agroindústrias, como fabricantes de biocombustíveis e proteína animal. A empresa espera que essa mudança limite a queda nas vendas a um dígito neste ano, mesmo diante de um mercado em retração.

Em entrevista, Ricardo Marozzin, presidente da Grain & Protein Technologies (GPT) América do Sul, controladora da marca GSI, afirmou que a companhia terá uma “ligeira retração” no Brasil, o que é visto com relativo otimismo dado o cenário. A GSI está entre as três maiores empresas de armazenagem no país e lidera o setor globalmente.

Segundo Marozzin, o investidor rural está “hiper seletivo e cauteloso”, precificando riscos climáticos como o El Niño, o que afeta a capacidade de investimento. Apesar disso, a GSI vem apresentando desempenho melhor que a média do mercado de máquinas e implementos agrícolas.

Dados da Abimaq indicam que o faturamento do setor de armazenagem no Brasil caiu 30% no primeiro semestre. Paulo Bertolini, vice-presidente da câmara setorial, observa que os negócios com fazendas estão reduzidos, refletindo a crise de crédito no agronegócio, e que parte dos projetos está travada à espera das eleições.

A GSI divide sua operação em Fazendas e Contas Comerciais. Neste ano, a área de Contas Comerciais, que inclui projetos de maior escala para agroindústrias, passou a representar mais de 50% do faturamento, ante cerca de 20% anteriormente. A empresa também aposta em modernizações e expansões de capacidade de armazéns já existentes.

Marozzin destaca que o Brasil continua sendo o principal mercado da América Latina para o setor, devido ao tamanho da safra e ao déficit de armazenagem, que aumenta de 5 a 6 milhões de toneladas por ano. A capacidade estática cresce apenas metade do incremento anual da produção de grãos, de 12 milhões de toneladas.

A estratégia de crescimento da GSI segue baseada em expansão orgânica, mas o executivo não descarta fusões e aquisições, especialmente no Brasil. Uma tentativa de fusão com a Kepler Weber não foi concluída, mas a empresa mantém a porta aberta para oportunidades.

Para 2027, Marozzin vê possibilidade de melhora na demanda, condicionada à recuperação dos preços das commodities agrícolas, o que pode devolver margem ao produtor e estimular novos investimentos.

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