Do agro à NFL: a trajetória do agrônomo de Mato Grosso que virou pioneiro no Miami Dolphins

Nascido e criado em Diamantino (MT), uma das dez cidades mais ricas do agronegócio brasileiro, Durval Queiroz Neto, o Duzão, parecia destinado a seguir a tradição da família na pecuária de corte. Mas a vida escreveu uma história diferente: ele trocou os pastos pelos gramados da NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos.

Aos 33 anos, Duzão é o primeiro atleta vindo do Campeonato Brasileiro a atuar na NFL. Ele passou três temporadas no Miami Dolphins, da Flórida, depois de ser aprovado no International Player Pathway Program, projeto que seleciona jogadores estrangeiros para a liga.

Do curso de agronomia ao futebol americano

Filho mais velho da quarta geração de pecuaristas, Duzão foi criado na fazenda, entre cavalos, bois e cabritos. O contato com o futebol americano aconteceu em 2010, ainda na faculdade de agronomia, quando morava em Tangará da Serra (MT). “Foi amor à primeira vista. Estava andando na rua quando me pararam por eu ser grandão. Disseram que não tinham equipamento, que era tudo muito amador. Mesmo assim, fiquei apaixonado”, relembra.

Ele se mudou para Cuiabá para atuar profissionalmente, passou pelo Cuiabá Arsenal e pelo Galo FA e chegou à seleção brasileira. O passo seguinte foi ousado: deixar o Brasil para tentar uma vaga em uma das 32 franquias da NFL.

Três anos no Miami Dolphins

Em abril de 2019, o defensive tackle foi anunciado pelo Miami Dolphins. O porte físico — 1,94 m e 150 kg — chamava atenção, mas o judô, esporte que praticava desde criança, com faixa-preta e título nacional, foi um diferencial na aprovação.

Durante a temporada, Duzão precisou se adaptar rápido ao profissionalismo e à competitividade da liga. “A gente passava quase 10 horas por dia estudando o adversário. O playbook tinha mais de 300 jogadas, parecia o manual de uma turbina de avião”, conta.

De volta ao Brasil e ao agro

Desde 2022 de volta ao Brasil, Duzão reassumiu a propriedade da família e aplica os conhecimentos da formação técnica e da agronomia. Também empreende nos segmentos fitness e de alimentação, com restaurante, franquia de açaí e choperia. “Tudo o que estudei me ajudou muito na NFL”, afirma.

A ligação com as origens, segundo ele, nunca foi perdida. A paixão pelo campo, cultivada na infância, segue viva — agora, ao lado de uma trajetória que mistura agro, esporte e superação.

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