Você já viu uma vaca com uma abertura lateral na barriga e ficou sem entender? A fístula ruminal é a técnica cirúrgica que explica esse “buraco” — e ela é essencial para a pesquisa com bovinos.
Segundo a Embrapa Gado de Leite, a fístula ruminal é utilizada há décadas para permitir o acesso direto ao rúmen, o maior dos quatro compartimentos do estômago dos bovinos. O procedimento instala uma cânula na parede abdominal, na chamada fossa paralombar esquerda, região escolhida porque o rúmen ocupa grande parte desse lado da cavidade abdominal.
Para que serve a fístula ruminal?
A técnica funciona como uma porta de acesso de longa duração ao sistema digestivo do animal. Com ela, pesquisadores conseguem:
- Coletar amostras do líquido ruminal e de partículas sólidas de alimentos em diferentes estágios de digestão;
- Introduzir alimentos ou substâncias para avaliar a degradação durante o processo digestivo;
- Estudar a fermentação e a microbiota do rúmen;
- Avaliar alimentos e aditivos;
- Monitorar alterações do rúmen ao longo do dia ou em resposta a diferentes tratamentos.
O acesso evita cirurgias invasivas e repetidas, como a passagem de sonda pelo esôfago.
5 curiosidades sobre a fístula ruminal
1. Onde a cirurgia é feita?
As cânulas são produzidas com materiais flexíveis e biocompatíveis, implantadas na fossa paralombar esquerda do bovino.
2. O que dá para fazer depois da implantação?
É possível retirar do rúmen tanto a fração líquida quanto partículas sólidas de alimentos em diferentes estágios de digestão. Também é possível introduzir amostras para avaliar como ocorre a degradação durante o processo digestivo, contribuindo para pesquisas sobre dietas e sistemas de produção.
3. O buraco fica aberto?
Não. A cânula possui uma tampa que só é aberta para a introdução ou retirada de amostras. No restante do tempo, o acesso ao rúmen fica vedado e o animal mantém as atividades normais.
4. Qualquer vaca pode passar pelo procedimento?
Não. Os animais passam por avaliação criteriosa: devem ser saudáveis, ter bom temperamento e condições de permanecer por longo período no experimento. Após a cicatrização completa e sem complicações, o animal pode ser integrado ao rebanho e, a critério do responsável técnico, até permanecer em produção e reprodução, como ocorre com vacas leiteiras.
5. Como o uso dos animais é controlado do ponto de vista ético?
A pesquisa com fístula ruminal no Brasil é regulamentada pela Lei nº 11.794/2008, por normas do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA) e pela Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou de Pesquisa Científica (DBCA). As instituições precisam ser credenciadas e contar com uma Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA), que avalia e autoriza os protocolos.
Com informações de Embrapa Gado de Leite.