Agrofloresta na pecuária leiteira: custos menores e renda maior em Minas Gerais

Um sistema agroflorestal está transformando a realidade de produtores de leite em Minas Gerais, reduzindo custos e aumentando a rentabilidade. A abordagem, que integra árvores, pastagens e animais, tem sido alvo de pesquisas da Embrapa Gado de Leite e pode ser uma alternativa para manter os produtores na atividade.

No Sítio Pontal do Araras, em Piumhi, o engenheiro agrônomo Vinícius Soares abandonou a indústria de lácteos em 2019 para iniciar sua própria produção em sistema agroflorestal. A propriedade de 25 hectares, antes sem uso econômico, hoje é referência na produção de queijo canastra, com prêmios nacionais e internacionais. “Desde o princípio, pensei em técnicas voltadas para agroecologia e pecuária regenerativa, com foco também na produção orgânica”, afirma Soares.

O modelo silvipastoril concilia a recuperação de áreas degradadas com a produção de leite e alimentos para consumo familiar. Além de pastagens e espécies leguminosas, a propriedade cultiva banana, mamão, baru, amora, ingá e aroeira. As árvores são protegidas por cerca elétrica, e o gado tem acesso a uma alimentação diversificada, com plantas como leucena e margaridão. O ciclo se fecha com a criação de porcos caipiras da raça piau, que consomem o soro do leite gerado na produção do queijo.

Na Terra Indígena Krenak, em Resplendor, a orientação de Soares tem revitalizado a produção leiteira, que havia sido abandonada por baixa produtividade. Tim Krenak, que mantém 30 vacas em lactação em 16 hectares, destaca a diversificação: “Conseguimos árvores, frutas, flores, numa composição que não exige buscar muita coisa fora da propriedade”. A previsão é expandir o sistema para 45 hectares.

Em Guaranésia, no sul do estado, o pecuarista Caio Rivetti, vice-presidente da comissão técnica de pecuária leiteira da FAEMG, adotou o sistema silvipastoril desde 2019 em uma área de pasto degradado. Hoje com nove hectares, ele observa que o leite produzido em agrofloresta tem maior teor de gordura e proteína. “Não ganhamos tanto dinheiro quanto eles ganham na alta, mas no médio prazo, sempre ganhamos. Num ano ruim, não se perde dinheiro aqui”, afirma.

Com custo de produção inferior a R$ 2 por litro de leite, contra uma média acima de R$ 2,60 no estado, Rivetti destaca a resiliência do sistema agroflorestal, que depende pouco de insumos externos. “O animal que come pasto e diferentes tipos de grãos acaba tendo um leite com teor de gordura e proteína maior”, detalha.

A pesquisa da Embrapa Gado de Leite comprova os benefícios do modelo: redução de custos, aumento da produtividade por hectare e serviços ecossistêmicos, como a ciclagem de nutrientes e a captura de carbono. A adoção de agroflorestas na pecuária leiteira pode ser a chave para uma atividade mais sustentável e lucrativa no Brasil.

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