Uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) à Worldpanel by Numerator revela que o arroz permanece como um dos alimentos mais presentes na rotina dos brasileiros. O estudo, que analisou o período entre outubro de 2024 e setembro de 2025, constatou que o grão está em nove de cada dez lares do país e aparece em 21,7 bilhões de refeições no período.
Mais da metade dessas refeições (55,3%) ocorre no almoço, enquanto 41,2% são no jantar, reforçando o papel central do arroz nas principais refeições. A pesquisa mostra que, apesar das transformações na alimentação e no estilo de vida, o cereal mantém forte ligação com a identidade nacional, atravessando gerações, regiões e classes sociais.
No entanto, os hábitos de consumo estão mudando. A motivação tradicional, baseada na rotina, ainda predomina, mas cresceram os atributos ligados à praticidade e conveniência (alta de 3,8%) e, de forma ainda mais expressiva, os relacionados ao prazer e à indulgência (aumento de 5,9%). O arroz não é mais apenas um acompanhamento automático; passa a estar vinculado à experiência, ao compartilhamento e à diversidade de preparações.
Os jovens das gerações Alpha e Z (com menos de 24 anos) são os principais responsáveis por esse movimento em direção ao prazer. Eles respondem por quase metade do crescimento nesse segmento e consomem o grão com mais frequência em jantares e finais de semana, em momentos de convívio familiar. O estudo também aponta maior presença do arroz em preparações saudáveis, acompanhado de legumes, verduras, ovos e proteínas magras. A combinação clássica com feijão segue dominante, mas receitas como arroz-doce, bolinho de arroz e arroz integral ganharam relevância.
A praticidade também impulsiona a permanência do arroz na mesa. A pesquisa registrou aumento nos preparos feitos em menos de 30 minutos e no uso de micro-ondas e panelas elétricas. Outro destaque é o crescimento das marmitas: a frequência de consumo passou de duas para quatro vezes por semana, totalizando cerca de 600 milhões de refeições anuais com o alimento. Esse movimento está ligado ao retorno das atividades presenciais e à busca por refeições equilibradas fora de casa.
O que os dados revelam é que o arroz conseguiu acompanhar as mudanças da vida contemporânea sem perder relevância cultural. Ele reúne características como praticidade, versatilidade, valor nutricional e conexão afetiva, conectando diferentes gerações e regiões do Brasil. Em um país cada vez mais acelerado, o grão permanece como um símbolo daquilo que o brasileiro escolhe manter à mesa.