Azeite paranaense conquista prêmio máximo em concurso internacional na Argentina

O azeite Cruz de Malta Blend de Safra, produzido pelo olivicultor e sommelier Marcio Thomaz, em Irati, no Centro-Sul do Paraná, recebeu o Gran Prestigio Oro, a mais alta distinção do 20º Concurso Internacional de Azeites de Oliva Extravirgem Olivinus 2026, realizado em Mendoza, na Argentina. A premiação ocorreu no dia 23 de setembro, na Universidad Juan Agustín Maza, e contou com amostras de 217 empresas de 21 países, avaliadas por um júri de 35 membros.

O azeite paranaense alcançou 90 pontos na avaliação — o Gran Prestigio Oro é concedido a produtos que ultrapassam 86 pontos. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), é a primeira vez que um produtor do estado conquista um prêmio em uma competição internacional de azeites.

“Receber este prêmio é a coroação de anos de muito trabalho, dedicação e, acima de tudo, a validação de que todo o esforço valeu a pena. Essa conquista é fruto de investimento e aprendizado desde os primeiros passos na cultura para alcançar a excelência que hoje entregamos no Azeite Cruz de Malta”, comemora Marcio Thomaz.

O produtor implantou o pomar em 2020 e colheu os primeiros frutos em 2025, que renderam 500 litros de azeite de oliva em produção experimental. A trajetória contou com assistência técnica do IDR-Paraná, que ajudou a avaliar o comportamento de diferentes cultivares e contribuiu para a elaboração do Boletim Técnico de Riscos Climáticos da Olivicultura do Paraná. O estudo identificou 69 municípios com aptidão preliminar para a cultura, considerando altitude, temperatura, umidade e outras variáveis.

Atualmente, o Paraná conta com cerca de 25 produtores de oliveira, em aproximadamente 90 hectares cultivados. O estado ainda não possui dados consolidados de produtividade, pois muitos pomares são jovens. A oliveira começa a produzir entre o segundo e o terceiro ano, estabilizando a produção entre o quarto e o quinto.

Para Laís Adamuchio, assessora estadual de Plantas Potenciais do IDR-Paraná, a premiação demonstra o potencial da olivicultura paranaense para produtos de alto valor agregado. “Essa premiação mostra que o nosso azeite e as nossas condições edafoclimáticas apresentam características suficientes para que os nossos produtores possam ser competitivos em relação ao mercado nacional e internacional”, afirma.

Entre os diferenciais da produção local está o intervalo reduzido entre a colheita e a extração — em pequenas propriedades, o processamento pode ocorrer em até 12 horas após a colheita, preservando as características do produto. Na propriedade de Marcio Thomaz, que cultiva nove variedades de oliveiras, a extração é realizada poucas horas após a colheita, que ocorre entre fevereiro e março.

O IDR-Paraná vê a olivicultura como alternativa de diversificação de renda para pequenas propriedades, com potencial para agregar valor por meio do turismo rural, gastronomia e integração com outras cadeias produtivas. Os desafios incluem avaliar a produtividade de diferentes materiais genéticos, o manejo fitossanitário e o aprimoramento de estruturas de processamento de menor porte.

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