Esgotamento da cota chinesa não deve reduzir preços da carne bovina no Brasil

O anúncio da Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) sobre o esgotamento da cota de importação de carne bovina brasileira para 2026 levantou dúvidas sobre uma possível queda nos preços no mercado interno. No entanto, segundo analistas, o cenário não deve resultar em redução das cotações.

João Figueiredo, analista da Datagro Pecuária, explica que a menor oferta de gado, a retomada das compras chinesas e o aumento do consumo doméstico no fim do ano tendem a sustentar os preços. “Todo mundo vai começar a mandar essas carnes para lá agora em outubro e novembro mais firme, para a carne ser internalizada no dia primeiro de janeiro de 2027”, afirmou, destacando que o movimento já influencia as cotações do boi gordo.

No início de outubro, a arroba do boi estava próxima de R$ 365,40, patamar próximo da máxima histórica de R$ 367 registrada em maio. A expectativa é que o pico da demanda chinesa ocorra por volta de meados de novembro. Além disso, o mercado brasileiro enfrenta um ciclo de menor oferta de animais, com projeção de queda de 5,3% na oferta de gado neste ano e de 8% em 2027.

“Então, nós estamos em um ciclo de alta, porque vamos ter menos oferta para esse ano e para o próximo”, disse Figueiredo. A menor disponibilidade de animais também pode pressionar a oferta de carne no mercado doméstico, já que as indústrias exportadoras devem enviar mais carne para a China, deixando o mercado interno menos abastecido.

O câmbio também entra na formação do preço da arroba. “Mesmo em um cenário hipotético, em que o boi chega a 400, o brasileiro já será penalizado”, afirmou o analista, lembrando o período em que a arroba atingiu R$ 250 em 2022, provocando forte retração no consumo. Com a combinação entre demanda doméstica, exportações e menor oferta de animais, o espaço para uma queda dos preços é limitado, mesmo com a cota chinesa temporariamente preenchida.

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