Na primeira vez em que recebeu um grupo de turistas, em 1995, o pecuarista Eduardo Folley Coelho ouviu uma frase que mudaria sua visão sobre a fazenda herdada do pai: “Vocês não precisavam dividir esse local com outras pessoas, vocês poderiam manter isso só para a família”. Naquele momento, ele e sua esposa, Simone Spengler Coelho, perceberam o verdadeiro tesouro que tinham em mãos.
Localizada em Jardim (MS), a Fazenda Cabeceira do Prata integra a agropecuária ao meio ambiente. Desde que se tornaram proprietários, em 1979, o casal priorizou a conservação. Atualmente, a propriedade possui certificação de lixo zero e carbono neutro, sequestrando mais carbono do que emite.
No Recanto Ecológico Rio da Prata, não há bebidas em latas ou garrafas plásticas. O canudo é substituído pelo caule da folha de mamão tratado. “Com isso, conseguimos a certificação de lixo zero, com mais de 90% da nossa geração de lixo recebendo a destinação correta. Apenas 3% vão para o sanitário”, explica o gerente de turismo, Teodison Gonçalves.
Na pecuária, o gado de leite e corte recebe manejo genético, e as lonas de silagem e sacos de sal mineral são devolvidos ao fabricante. Até o papel higiênico é compostado e vira adubo para os pomares. “Desde sempre, nunca enterramos lixo nenhum na fazenda”, garante Eduardo.
A alimentação servida aos visitantes vem de uma horta orgânica em sistema agroflorestal. Parte da produção é doada ao hospital local e à Associação Pestalozzi. “Essa horta é a realização de um sonho. Desde o início queríamos servir comida saudável”, afirma Simone.
O casal também mantém um viveiro de mudas nativas com quase 100 espécies. As mudas são distribuídas para projetos de reflorestamento de ONGs e institutos. “Isso não dá dinheiro, só dá trabalho. Mas acertamos a sustentabilidade da região para ter um rio de água limpa”, diz Eduardo.
Com 400 hectares de área preservada, a Fazenda Cabeceira do Prata mostra que é possível conciliar produção agropecuária, ecoturismo e conservação ambiental. “Para mim, é mais importante buscar a sustentabilidade do que o máximo ganho financeiro”, conclui o pecuarista.