Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, alcançaram um marco inédito na reprodução animal: a primeira produção in vitro de embriões de jumentos nordestinos, espécie ameaçada de extinção devido à exploração de sua pele e colágeno para a fabricação do ejião, um colágeno animal comercializado como elixir rejuvenescedor na China.
Segundo a equipe responsável pelo estudo, são os primeiros embriões de asininos desse ecótipo, exclusivo do Semiárido brasileiro, produzidos in vitro no mundo. A técnica utilizada foi a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI), na qual um único espermatozoide é introduzido diretamente no interior do oócito com o auxílio de equipamentos de micromanipulação, uma das biotecnologias mais avançadas empregadas atualmente na reprodução de equídeos.
“A tecnologia poderá contribuir tanto para a conservação da diversidade genética do ecótipo Nordestino, quanto para o melhoramento e a estruturação sustentável e crescimento dos rebanhos em menor tempo, ampliando a contribuição dos animais selecionados para as próximas gerações”, explica Frederico Freitas, aluno do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFV e responsável pelo estudo.
A pesquisa integra o projeto de mestrado de Freitas, sob orientação da professora Yamê Fabres, do Departamento de Zootecnia da UFV. A primeira coleta foi realizada na fazenda Jegue Land, no sertão baiano, e contou com a participação dos pesquisadores Gustavo Carneiro (UFRPE) e Jorge Lucena (UFAPE).
O sucesso da técnica aplicada a asininos representa um avanço significativo para a aplicação de biotecnologias reprodutivas ao jumento Nordestino, espécie para a qual os protocolos científicos ainda são menos consolidados do que aqueles destinados aos equinos. O projeto inaugura uma linha de pesquisa na UFV voltada à produção in vitro de embriões da espécie, contribuindo para gerar conhecimento, formar profissionais especializados e desenvolver protocolos adaptados aos jumentos nordestinos.