Produtores paranaenses de aves e suínos enfrentam margens negativas com alta de custos

O agronegócio paranaense enfrenta um cenário desafiador para avicultores e suinocultores. De acordo com o Boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná, ambos os setores registram margens negativas, pressionadas principalmente pelo encarecimento da ração animal.

Na avicultura de corte, o produtor recebeu em agosto R$ 4,73 por quilo de frango vivo, enquanto o custo total de produção foi de R$ 4,85 por quilo, gerando margem negativa de 2,47%. Já na suinocultura, o preço nominal médio do suíno vivo ficou em R$ 5,31 por quilo, ante um custo operacional de R$ 5,96 por quilo, resultando em margem negativa de 10,91%.

Segundo o Deral, os principais ingredientes da ração – milho e farelo de soja – subiram 6,9% e 17% em 12 meses, respectivamente. A alimentação representa cerca de 64% dos custos na avicultura e mais de 70% na suinocultura, impactando diretamente a rentabilidade.

Para contornar a crise, o avicultor Marcelo Teles, de Palotina (oeste do Paraná), suspendeu investimentos na propriedade. “Há quatro anos só faço manutenção preventiva, não há como aplicar recursos em equipamentos novos”, afirma. Ele mantém quatro aviários com 33 mil aves e, mesmo integrado a uma cooperativa, sente a margem encolher.

Já o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir José Dariva, alerta que a margem negativa pode chegar a 30% em alguns casos. “A alimentação corresponde a mais de 70% do custo de produção, mas outros insumos como energia elétrica, material de construção e mão de obra têm reduzido ainda mais as margens”, explica. Dariva, que também é suinocultor em Itapejara do Oeste, defende o aumento do consumo interno de carne suína como solução para absorver o excedente de produção.

Dados da Embrapa Suínos e Aves mostram que, em agosto, o custo de produção de suínos subiu 2,58% em relação a julho, enquanto o preço recebido pelo produtor caiu 4,15%. “Essa diferença aumenta a pressão sobre as margens e dificulta a recuperação da rentabilidade da atividade”, destaca Roberto Carlos Andrade e Silva, analista do Deral.

Na avicultura paranaense, o custo de produção acumula altas de 5,61% no ano e 5,30% em 12 meses. O Estado é o maior produtor nacional de aves, responsável por 34% dos abates. O produtor Dalton Auri Ludewig, de Maripá (oeste do Paraná), que cria 180 mil aves em oito aviários, cita energia elétrica, óleo diesel e gás (GLP) como itens essenciais que pesam no custo. “São itens essenciais para a atividade. Não há alternativa para economizar”, diz. Ele afirma que a rentabilidade caiu cerca de 20% neste ano e que os investimentos estão parados devido às altas taxas de juros.

Diante desse cenário, a busca por eficiência e a pressão por melhores preços ao produtor tornam-se prioridades para garantir a sustentabilidade das atividades no campo.

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