Óleos vegetais: setor investe R$ 7,65 bilhões para ampliar processamento e atender demanda por biodiesel

A indústria brasileira de óleos vegetais vive um momento de forte expansão. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a capacidade total de processamento de oleaginosas no país chegou a 86,4 milhões de toneladas em 2026, uma alta de 13,1% ante o ano anterior.

O avanço é puxado principalmente pela demanda aquecida por farelo de soja e biodiesel. Para atender a esse cenário, as empresas do setor projetam investimentos de aproximadamente R$ 7,65 bilhões nos próximos 12 meses em projetos de expansão e construção de novas unidades. Em 2025, a projeção era de R$ 5,76 bilhões.

“Nos últimos anos, a demanda por óleo de soja para a produção de biodiesel direcionou o crescimento da capacidade das nossas indústrias. Isso acontece porque os biocombustíveis ganharam um papel importante na questão energética”, afirma Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove.

Segundo ele, o aumento do uso de óleo de soja para biodiesel elevou também a produção de farelo, insumo com vendas aquecidas tanto no mercado interno quanto na exportação. “Com o ritmo que estamos vendo, acredito que em pouco tempo o Brasil deve ser novamente o maior exportador do mundo, superando a Argentina”, estima.

O número de empresas de processamento de soja passou de 75 para 89, alta de 18,7%. As plantas ativas cresceram de 131 para 148, enquanto as unidades paradas caíram de 12 para seis. A capacidade dessas unidades chegou a 255.544 toneladas por dia, avanço de 16,2%. Há ainda três plantas em construção, ante seis no levantamento anterior.

O Centro-Oeste segue como principal polo do setor, concentrando 42,9% da capacidade nacional de processamento. A região passou de 102.705 toneladas por dia em 2025 para 112.288 toneladas neste ano. Mato Grosso lidera entre os estados, com 56.559 toneladas por dia — 21,6% do total.

Os investimentos previstos de R$ 7,65 bilhões têm potencial para adicionar 7,4 milhões de toneladas por ano à capacidade de processamento e gerar 13,4 mil postos de trabalho.

Mistura de biodiesel e cronograma

Daniel Amaral observa que a previsão de investimento cresce a cada ano, mesmo com mudanças no cronograma da mistura de biodiesel ao diesel. O percentual atual é de 15%, enquanto o cronograma inicial previa 16% já em março. O setor, segundo ele, tem convivido com a imprevisibilidade, mas colaborado para evitar atrasos. Testes programados para uso do B20 devem ser concluídos em fevereiro de 2027.

“Tudo converge para que tenhamos o B17 já em março do ano que vem”, afirma. O segmento também estuda novas formas de venda direta de B100 com uso voluntário e oportunidades no mercado de combustíveis marítimos.

A pesquisa apontou ainda que o número de empresas de refino de óleos vegetais somou 39 neste ano, aumento de 2,6%. As unidades industriais passaram de 66 para 67, com capacidade total de refino de 26.425 toneladas por dia, alta de 2,5%, equivalente a 8,7 milhões de toneladas por ano. A capacidade de envase permaneceu estável em 14.811 toneladas por dia, ou 4,9 milhões de toneladas ao ano.

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