Demanda chinesa impulsiona exportação de sorgo brasileiro e movimenta logística ferroviária

A entrada da China no mercado de sorgo brasileiro está transformando a cadeia produtiva do grão. Em setembro, a VLI realizou o primeiro embarque ferroviário de sorgo do Brasil com destino ao mercado chinês, após estruturar um sistema logístico dedicado. A expectativa é que o Brasil embarque até 2 milhões de toneladas de sorgo em 2026, segundo Carolina Hernandez, diretora-executiva Comercial, de Projetos e Planejamento Estratégico da VLI.

A empresa já negociou o transporte de aproximadamente 800 mil toneladas do grão. “Estimamos que a VLI vai movimentar de 800 mil a 1 milhão de toneladas de sorgo em 2026”, afirmou a executiva. Para viabilizar o escoamento, a companhia segregou ativos como terminais de transbordo, armazéns, silos, esteiras e frota ferroviária, além de dedicar espaço no porto para evitar contaminação.

As cargas começaram a ser recebidas em julho e seguiram pela Ferrovia Centro-Atlântica em duas rotas: de Araguari (MG) ao Espírito Santo (Corredor Leste) e de Uberaba (MG) ao Porto de Santos (SP) (Corredor Sudeste). Até setembro, já haviam sido embarcadas mais de 250 mil toneladas, sendo 90 mil toneladas via Santos e mais de 160 mil pelo Porto de Tubarão, em Vitória (ES). Em ambos os casos, o destino foi a China. Em setembro, a operação chegou ao Corredor Norte, com a primeira movimentação para o Porto do Itaqui, em São Luís (MA), com destino inicial ao norte da África e posteriormente à China.

No acumulado do ano até agosto, o Brasil exportou 231,2 mil toneladas de sorgo. A China foi responsável por boa parte desse volume, com a compra de 196,05 mil toneladas apenas em agosto, conforme dados do Ministério da Agricultura. Esse fluxo foi viabilizado pelo protocolo fitossanitário assinado entre os dois países em novembro de 2024, mas as autorizações para exportação só ocorreram em novembro de 2025, com os embarques ganhando tração no segundo semestre de 2026.

O sorgo é cultivado no Brasil na segunda safra, durante o inverno, competindo com o milho. Sua vantagem é o menor custo de produção, já que exige menos água e fertilizantes. Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), destaca que a entrada da China elevou os preços. “Antigamente o sorgo era usado apenas para ração animal. Hoje é usado para produção de etanol e agora para exportação”, afirma. O principal gargalo ainda é a logística, com custos mais altos em alguns casos devido ao transporte em contêineres, mas a perspectiva é de crescimento contínuo.

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