Queda de energia elétrica causa morte de 450 mil peixes e prejuízo de R$ 2,5 milhões no Paraná

Um problema no fornecimento de energia elétrica resultou na morte de mais de 450 mil peixes em uma propriedade rural em São João do Ivaí, no norte do Paraná. O piscicultor Edilson Pini, que comanda a produção familiar há 40 anos, estima um prejuízo superior a R$ 2,5 milhões apenas para repor o plantel perdido.

A falha começou no dia 29 de setembro e a energia só foi restabelecida após 23 horas. Com a interrupção, os sistemas de oxigenação dos tanques pararam de funcionar, causando a morte em massa dos peixes. As perdas equivalem a 230 toneladas de peixes que seriam abatidos ao longo de quatro meses para cumprir contratos com fornecedores, colocando em risco a continuidade do negócio.

De acordo com o produtor, a qualidade da energia na região é ruim há anos, com oscilações frequentes. O gerador da propriedade, que deveria entrar em operação durante quedas, sofreu uma pane devido às várias oscilações, gerando um custo extra de cerca de R$ 20 mil com consertos.

Este não é um caso isolado. No início do ano, uma falha semelhante já havia causado a morte de 1,1 milhão de peixes em Tupãssi, no oeste do Paraná. Dias depois, 20 mil frangos morreram em uma granja em São Miguel do Iguaçu também por queda de energia.

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) voltou a cobrar soluções da Copel, distribuidora local de energia. “É urgente que a Copel apresente soluções para o meio rural. Na piscicultura, a falta de energia significa falta de oxigênio nos tanques e, em poucas horas, perda de animais e prejuízos financeiros na casa dos milhões de reais”, ressaltou o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Em nota, a Copel informou que a interrupção foi causada por eventos climáticos severos consecutivos, que danificaram a rede elétrica na área rural. A empresa afirmou que mobilizou cinco equipes para o reparo e que o religamento ocorreu na manhã seguinte. A companhia também destacou o canal Copel Agro (0800 643 7676) para atendimento a produtores rurais.

O presidente da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema Faep, Edio Chapla, alertou que, além do impacto econômico, a instabilidade no fornecimento de energia gera estresse psicológico nos produtores, que vivem com a incerteza de que os geradores funcionem. “A energia já responde por mais de 55% do custo do lote, deixando a margem cada vez mais apertada”, explicou.

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