Tecnologia e eficiência no semiárido baiano: casal produz três safras de melão por ano

Em pleno semiárido baiano, a produção de melão deixou de ser apenas uma aposta para se tornar um projeto de vida. Há 11 anos juntos, Marcos Aurélio Garaffa e Fran Terto comandam a Sweet Valley, propriedade em Juazeiro (BA) que consegue colher três safras da fruta por ano — ritmo possível graças à combinação de pesquisa, tecnologia e gestão integrada.

“A gente nasceu para fazer isso juntos. A Sweet Valley é como um filho nosso”, afirma Fran, engenheira agrônoma responsável pela área administrativa, enquanto Marcos cuida da atividade de campo.

Da banana ao melão

A propriedade foi adquirida entre o fim de 2009 e o início de 2010. A primeira aposta foi a banana, mas os resultados ficaram aquém do esperado. Em 2019, o casal decidiu mudar de estratégia e buscar uma cultura de ciclo mais curto. O primeiro plantio de melão ocorreu em setembro daquele ano; três meses depois, em dezembro, nasceu a marca Sweet Valley.

“Precisávamos de uma cultura de ciclo curto, de aproximadamente 60 dias, para gerar caixa mais rápido”, explica Fran.

Números e estrutura da Sweet Valley

  • 34 hectares de área produtiva no total;
  • 16 hectares ocupados com melão;
  • 10 hectares com manga;
  • 8 hectares em estruturação para novos plantios de manga ou cacau;
  • Produção durante 52 semanas por ano.

O melão da fazenda abastece principalmente São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pernambuco.

Tecnologia aplicada ao manejo

A irrigação é calculada diariamente com base na evapotranspiração, no coeficiente da cultura e na fase de desenvolvimento das plantas. Isso reduziu o consumo de água e também a incidência de doenças favorecidas pelo excesso de umidade. O solo passa por análises nutricionais e microbiológicas pelo menos duas vezes por ano.

A propriedade produz seus próprios compostos líquidos. A estrutura ganhou importância especialmente nas safras de 2024 e 2025, quando condições climáticas desfavoráveis se combinaram a preços mais baixos. Com a produção própria, o custo do bioinsumo caiu de R$ 0,32 para R$ 0,17 por litro.

O controle fitossanitário também é orientado por monitoramento: as lavouras são vistoriadas a cada dois dias para identificar pragas, e o histórico de ocorrências define se e quando é necessário pulverizar, evitando aplicações desnecessárias.

Eficiência com responsabilidade ambiental

A fazenda mantém 17,61 hectares de reserva legal e uma área de preservação permanente (APP). As frutas que não atingem o padrão comercial são destinadas a criadores cadastrados para alimentação animal. Já as embalagens vazias de defensivos são devolvidas por meio da Associação do Comércio Agropecuário do Vale do São Francisco (Acavasf).

A automação do sistema de irrigação reduziu a necessidade de deslocamentos e a exposição dos trabalhadores ao sol, tornando a operação mais segura. Em média, seis pessoas trabalham na propriedade; em picos de demanda, como no transplante de cerca de 30 mil mudas por ciclo, a contratação temporária chega a mais de 600 pessoas.

Capacitação e relação com a comunidade

Os colaboradores participam de cursos oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e de treinamentos internos sobre boas práticas agrícolas, operação de máquinas, tecnologia de aplicação, segurança e saúde mental. A Sweet Valley também recebe moradores dos povoados de São Gonçalo e Correnteza para dias de campo, visitas técnicas e eventos.

Reconhecimento e redução de impactos

Em 2023, a propriedade conquistou diversas certificações e, mais recentemente, recebeu o Selo Carbono Consciente. “A partir do inventário de gases de efeito estufa, conseguimos mensurar nossas emissões, entender onde estavam os principais impactos da produção e identificar oportunidades de redução”, explica Fran. A ideia é manter as reduções associadas à própria produção e diminuir a pegada dos alimentos colocados no mercado.

Deixe um comentário

Powered by Joinchat
Anunciar grátis