O plantio de soja no Rio Grande do Sul enfrenta dificuldades devido ao excesso de chuvas que atinge grande parte do estado há pelo menos sete dias. As operações a campo estão comprometidas, e o percentual semeado até o momento é considerado incipiente.
Segundo a Emater, os produtores têm priorizado a dessecação de plantas de cobertura e o preparo das áreas, aguardando condições mais favoráveis para iniciar ou ampliar a implantação das lavouras. A cautela também se deve ao risco de necessidade de ressemeadura após precipitações intensas, considerando os custos envolvidos no estabelecimento da cultura.
Na Fronteira Oeste, em municípios como São Borja, Manoel Viana e Maçambará, pouco mais de 3.000 hectares foram semeados, principalmente em áreas de plantio antecipado autorizado na segunda quinzena de setembro. Em Ijuí, a semeadura alcançou apenas 0,3% da área prevista, e as operações ocorreram pontualmente onde as precipitações semanais não ultrapassaram 50 mm.
As condições úmidas também impactam a cultura do trigo no estado. A colheita chegou a 9% da área, inferior aos 15% da média para o período, devido ao quadro chuvoso da última semana. A Emater informa que, nas áreas em que o trigo está em fase reprodutiva, o excesso de chuva, a manutenção da umidade do ar e a baixa radiação solar prejudicam o enchimento de grãos, com reflexos negativos sobre rendimento e qualidade.
Os temporais com granizo e ventos fortes provocaram acamamento, quebra de espigas e debulha, especialmente no noroeste gaúcho. Os triticultores afetados acionaram seus seguros agrícolas, e as vistorias estão em andamento para dimensionar os prejuízos. Para os próximos sete dias, a Emater prevê tempo estável em parte do território gaúcho, mas com manutenção da nebulosidade elevada principalmente no norte do estado.