Desfile da Abrapa na SPFW celebra algodão brasileiro e resgata memórias afetivas

O algodão brasileiro voltou a brilhar nas passarelas da São Paulo Fashion Week (SPFW), maior semana de moda da América Latina. Na quinta-feira (15/10), o Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, foi palco do desfile ‘Imaginários’, promovido pela iniciativa Sou de Algodão, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Conexão entre campo e moda

Com o tema ‘Cartas de Algodão’, o estilista Ronaldo Fraga assinou a coleção que colocou a fibra como elemento central de memória afetiva. A proposta foi mostrar que o algodão brasileiro vai além de matéria-prima e carrega significados ligados à afetividade, ao cuidado e à delicadeza. Esses valores dialogam com o trabalho de décadas dos cotonicultores para tornar a fibra cada vez mais sustentável e certificada.

“O principal objetivo do Sou de Algodão é aproximar a produção da fibra no campo, o trabalho realizado na lavoura e a sociedade, especialmente os consumidores”, afirmou Alessandra Zanotto, produtora e presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).

Memória têxtil e identidade brasileira

Para Ronaldo Fraga, o algodão é o tecido que melhor representa o Brasil. “Toda a memória têxtil que uma pessoa carrega está ligada ao algodão, seja na primeira roupa de batismo, nas roupas de bebê e de cama ou nos lenços bordados herdados da avó”, comentou. Ele destacou ainda o papel dos designers na criação de pontes entre os diferentes ‘Brasis’ que o próprio país desconhece.

“Acredito que esse também deve ser o papel do criativo: unir o Brasil do trabalho artesanal ao da indústria e aproximar o agronegócio de quem cria e de quem consome, conectando quem planta àqueles que transformam o fio em produto”, disse.

Sustentabilidade e economia criativa

Fraga aponta que a economia criativa permite estabelecer essas conexões e desenvolver produtos com alma, identidade e memória, capazes de despertar o desejo do mercado. A aproximação entre o campo e o universo da moda está no centro da proposta do Sou de Algodão. Segundo Alessandra Zanotto, a iniciativa busca valorizar os profissionais que transformam a fibra em roupas e aproximar o público desse processo.

“É uma maneira de nos aproximarmos das pessoas, valorizando principalmente quem cria a moda e as roupas e quem desperta nelas a vontade de se vestir. Foi assim que buscamos ocupar espaços onde talvez não estivéssemos”, concluiu a presidente da Abapa.

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