O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Bili, afirmou que a União Europeia deve liberar as exportações brasileiras de carne de aves e mel em novembro. A declaração foi dada no sábado (17/10), durante o primeiro dia da Sial Paris, um dos principais salões internacionais de alimentos, na capital francesa.
As vendas de produtos de origem animal do Brasil para o bloco europeu estão suspensas desde o dia 3 de setembro. A UE tomou a medida alegando falhas no controle do uso de antimicrobianos nos plantéis de criação. Governo e setor privado contestaram a decisão e participaram de auditorias com representantes europeus.
“Não souberam me precisar a data, mas estamos crendo que para dezembro essa decisão já esteja publicada e o Brasil poderia retomar as exportações de carne de aves e mel, que já foram muito grandes este ano”, disse Bili a jornalistas. Segundo ele, antes da suspensão, os exportadores embarcaram tudo o que estava certificado para o mercado europeu.
Auditores da UE estiveram no Brasil e avaliaram que as cadeias produtivas de aves e mel têm condições de controlar o uso de medicamentos e atender às normas dos importadores. O comissário europeu para Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, já havia sinalizado a ministros brasileiros que as compras poderiam ser retomadas “no curto prazo”.
A decisão final caberá ao Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff), que se reúne nos dias 20 e 21 de outubro para apresentação do relatório dos auditores e, em novembro, para a palavra final.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que o Brasil cumpre os regulamentos sanitários. “O Brasil não tem nenhuma violação de nada para a Europa. Foi um problema burocrático e que, na nossa visão, já está resolvido. Vamos continuar essa parceria de muito tempo”, disse.
Já o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destacou que a União Europeia responde por cerca de 5% das exportações brasileiras de carne bovina e é importante como referência de preço e acesso a outros mercados. “Estamos tentando dialogar com o governo europeu, junto com o governo brasileiro, para que se tire a restrição. Os governos estão conversando, os privados também, para que possamos, o mais rápido possível, retomar o fluxo comercial”, afirmou.
Mais de 150 empresas e cooperativas brasileiras participam da Sial Paris, que abriu as portas ao público neste sábado. O jornalista viajou a convite da Apex Brasil.