A decisão da China de suspender as importações de produtos avícolas apenas de Santa Catarina deve reduzir o impacto das perdas no setor produtivo brasileiro após a confirmação de um foco de doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). A avaliação foi feita pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi.
Segundo Billi, as 14 unidades catarinenses habilitadas para exportar à China foram suspensas. No total, o Brasil tem 61 estabelecimentos autorizados a vender produtos avícolas ao país asiático. A medida, de acordo com ele, é resultado da negociação diplomática feita desde domingo (18/10), quando o foco foi confirmado, e da experiência do episódio de 2024, no Rio Grande do Sul.
Na ocasião, em Anta Gorda (RS), a Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) chegou a bloquear as importações de todo o país e, 26 dias depois, restringiu o embargo ao Rio Grande do Sul. Agora, o bloqueio já nasceu focalizado. “De fato, eles poderiam ter decidido fechar tudo, mas conseguimos mudar esse entendimento com a China, o que reduz muito o impacto”, afirmou o secretário.
A pasta avalia que a auditoria in loco recente do sistema sanitário brasileiro feita pelos chineses deu mais segurança para a adoção da medida menos restritiva e para a regionalização do problema, sem afetar as vendas dos demais Estados.
Certificação suspensa e restrições
Mesmo com o embargo restrito a Santa Catarina, o Brasil não certificou produtos avícolas para exportação à China a partir de segunda-feira (19/10). A decisão, de caráter técnico e mais cauteloso, partiu do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), porque o protocolo sanitário bilateral prevê o bloqueio de todo o território nacional. Com a confirmação do embargo apenas às unidades catarinenses, as demais empresas do país poderão retomar as vendas.
Até o fim do dia, o Ministério da Agricultura deverá publicar uma lista com as restrições aplicadas para exportação aos mercados internacionais. A data-base para a certificação de produtos avícolas será 21 de setembro, data da coleta da vigilância ativa em Nova Itaberaba (SC) que deu início às investigações e resultou na confirmação do foco em 18 de outubro. Assim, dependendo do destino, não poderão ser certificadas cargas produzidas depois dessa data.
Sobre o México, que suspendeu as compras de produtos avícolas do Brasil, Billi afirmou que a decisão cumpre o protocolo sanitário e que começa agora o trabalho de negociação para reduzir o bloqueio ao Estado, município ou área afetada.
Controle e relatório à OMSA
O secretário lembrou que, ainda nesta semana, os animais da granja onde o foco foi identificado serão sacrificados e o local passará por desinfecção. Concluídos os procedimentos e sem a detecção de novos focos, o Brasil poderá pleitear, em 90 dias, a declaração de país livre da doença de Newcastle à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Nesta terça-feira (20/10), o relatório brasileiro sobre o foco foi publicado no site da OMSA. O documento mostra que a granja em Nova Itaberaba tem 6.526 animais, com 26 casos identificados e nenhuma morte. A data de início do evento é 21 de setembro.
No relatório, o Brasil informou que foram coletadas amostras de aves assintomáticas como parte das atividades de vigilância ativa do Plano Nacional de Vigilância da Influenza Aviária e da Doença de Newcastle em 21 de setembro. As amostras apresentaram resultado positivo nos testes de triagem em 14 de outubro de 2026. Diante da suspeita, o Serviço Veterinário Oficial realizou investigação epidemiológica no estabelecimento; não foram observados sinais clínicos no lote e novas amostras foram coletadas para testes confirmatórios.
O Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP) confirmou o surto em 18 de outubro de 2026. O sequenciamento genético foi consistente com um vírus virulento, com a sequência de aminoácidos 112-RRQKR-116 na extremidade C-terminal da proteína F2 e um resíduo de fenilalanina (F) na posição 117 na extremidade N-terminal da proteína F1. A sequência obtida para o gene F apresentou 97,35% de identidade com a sequência do paramixovírus 1 de pombos (PPMV-1) depositada no GenBank sob o número de acesso KX097024.1.
As autoridades sanitárias brasileiras seguem conduzindo a investigação epidemiológica e implementando restrições e medidas de controle conforme o Plano Nacional de Contingência para Emergências em Saúde Animal.