O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) de Minas Gerais reconheceu oficialmente o samba e os modos tradicionais de produção da cachaça de alambique como patrimônios culturais do estado. A decisão, tomada nesta semana, tem como objetivo preservar tradições, técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações, valorizando a identidade cultural mineira.
Minas Gerais lidera a produção nacional de cachaça de alambique, com volume estimado em 13,5 milhões de litros por ano. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), o estado conta com 630 alambiques registrados. “A bebida tem papel fundamental na história mineira. A produção aqui é forte. Sendo assim, deve ser valorizada”, destacou José Lúcio, presidente da Expocachaça, maior evento global dedicado à bebida.
No caso do samba, a solicitação para o estudo que embasou o reconhecimento partiu do coletivo de sambistas Mestre Conga. Atualmente, Minas Gerais possui 246 grupos de samba cadastrados, segundo dados do governo estadual.
Além disso, o Conep aprovou o tombamento da Casa de Dona Beja, em Araxá, no Alto Paranaíba. Conhecida como Pensão Tormim, a construção com características da arquitetura urbana do século XIX foi erguida entre as décadas de 1820 e 1830 e está ligada à trajetória de Anna Jacintha de São José, a Dona Beja. Ela teve influência social, econômica e política na região e ficou conhecida por desafiar convenções da época. Com o tombamento, o imóvel passa a contar com proteção estadual para preservar suas características históricas e arquitetônicas.