A região Centro-Sul do Brasil deverá encerrar a safra sucroalcooleira com uma moagem total de 640 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o que representa um aumento de 4,8% em relação ao ciclo anterior. Os dados são da consultoria Datagro, divulgados durante a 26ª Conferência Internacional de Açúcar e Etanol, realizada em São Paulo.
No entanto, as frequentes chuvas nos estados do Centro-Sul têm provocado interrupções significativas na colheita. Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, o atraso médio já chega a 28,6 dias – 15 dias a mais do que a média histórica para o período. Em algumas localidades, as paralisações já ultrapassam 50 dias, principalmente nas áreas próximas aos rios Tietê e Paraná.
O atraso acumulado é estimado em 50 milhões de toneladas de cana. Para compensar, muitas usinas devem estender o período de colheita e moagem até a segunda quinzena de dezembro. Contudo, a necessidade de colher mesmo com o solo ainda úmido está causando danos às soqueiras, o que pode comprometer a produtividade da próxima safra. Além disso, a umidade favorece a infestação de cigarrinhas, prejudicando a qualidade da matéria-prima e o rendimento industrial.
Com o volume total de cana estimado, a Datagro projeta que a produção de etanol no Centro-Sul deve aumentar em 3,5 bilhões de litros nesta safra, alcançando 37,2 bilhões de litros. Desse incremento, 2,5 bilhões de litros virão da cana e 1 bilhão de litros do milho. Já a produção de açúcar deve cair 5%, para 38,42 milhões de toneladas, reflexo de um mix menos voltado para o adoçante, mesmo com a recente alta nos preços internacionais da commodity.
O cenário preocupa produtores e investidores, que monitoram de perto o impacto das condições climáticas sobre o calendário e a qualidade da safra.