Uma abóbora de 1.432 kg colhida nos Estados Unidos quebrou o recorde mundial de peso em outubro, reconhecida pelo Guinness World Records. O feito, do produtor Ron Wallace, superou a marca de 1.295,8 kg do inglês Ian Paton. Mas o que está por trás desses tamanhos fora do comum? A resposta está na combinação entre fatores genéticos e condições de cultivo favoráveis.
Segundo Geovani Amaro, pesquisador da Embrapa Hortaliças, a fertilidade do solo, o manejo adequado e a seleção de variedades com potencial para produzir hortaliças maiores são os principais pilares. “Uma planta que cresce em solo fértil e produz poucos frutos pode concentrar seu desenvolvimento em um ou dois exemplares, favorecendo o aumento do tamanho”, explica.
Exemplos não faltam: abóboras de centenas de quilos, repolhos volumosos e beterrabas que ultrapassam o padrão habitual são resultados diretos desse processo. A genética desempenha papel crucial. Existe uma variabilidade natural entre plantas da mesma espécie – algumas já nascem com maior potencial de crescimento. Por meio do melhoramento genético, é possível selecionar e cruzar essas plantas, direcionando a seleção para frutos maiores.
No entanto, o tamanho gigante nem sempre é o mais adequado para o mercado consumidor. Abóboras de 1,5 a 2 kg, por exemplo, atendem melhor a famílias menores, enquanto frutos de 3 a 4 kg são mais práticos para famílias maiores. A produção de exemplares recordes está mais ligada a exposições e competições do que à comercialização.
As abóboras e morangas se destacam entre as hortaliças pela capacidade de atingir dimensões extraordinárias. Em competições, alguns exemplares chegam a 300 kg, meia tonelada ou mais. Para isso, os produtores utilizam variedades selecionadas e técnicas específicas: polinização controlada, proteção das flores e frutos, manutenção de apenas um fruto por planta para reduzir a competição por água e nutrientes, além de cuidados com solo, umidade, temperatura e luminosidade.
O equilíbrio nutricional é decisivo. Nitrogênio, potássio, cálcio e magnésio devem ser fornecidos na medida certa. Excesso de nitrogênio, por exemplo, pode causar rachaduras. A disponibilidade de água também precisa ser monitorada para evitar estresses.
Apesar do tamanho impressionante, a qualidade para consumo pode ser inferior. Pesquisadores apontam que abóboras cultivadas para recordes podem ter sabor mais suave. Após as exposições, os exemplares costumam ser destinados à alimentação animal, degustação ou produção de composto orgânico. A capacidade de conservação pós-colheita permite que os frutos sejam mantidos por períodos prolongados, facilitando a participação em eventos.
Para o agricultor que busca esses feitos, a receita é clara: unir genética de ponta a um manejo minucioso. Como resume Geovani: “O agricultor que consegue atingir isso combina essas duas coisas.”