Chuvas restringem oferta e pressionam cotações
Os preços do etanol e do açúcar seguem em alta no mercado brasileiro neste fim de outubro. Segundo o Cepea, o movimento é puxado pela combinação de oferta reduzida e demanda aquecida, em um cenário marcado por chuvas acima da média para o período.
As precipitações excessivas têm dificultado o avanço da moagem da cana-de-açúcar na safra 2026/27 e reduzido a qualidade da matéria-prima. Com isso, agentes do setor projetam atraso no calendário da temporada, com volume expressivo de cana devendo ser moído somente em 2027.
Etanol hidratado e anidro em alta
Entre os dias 19 e 23 de outubro, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado registrou preço médio de R$ 2,7400 o litro, alta de 1,89% em uma semana. Já o etanol anidro foi negociado a R$ 3,3950 o litro, avanço de 10,14% no mesmo período.
No caso do hidratado, distribuidoras têm adquirido volumes adicionais para atender à procura aquecida, impulsionada pela boa paridade de preços entre gasolina C e etanol nas bombas e pela preocupação com a oferta nos próximos meses. Segundo o Cepea, na parcial de outubro, o volume total de etanol hidratado vendido pelas usinas já supera o de setembro e deve ser o maior do ciclo 2026/27, em torno de 350 milhões de litros.
Para o etanol anidro, as condições climáticas geram preocupação quanto ao volume a ser entregue dentro da obrigatoriedade dos contratos. O excesso de chuvas compromete o acúmulo de açúcar, reduzindo o teor de ATR (Açúcar Total Recuperável) e a qualidade da matéria-prima.
Açúcar cristal registra 14ª alta semanal consecutiva
O açúcar cristal branco teve a 14ª elevação semanal consecutiva, a sequência mais longa desde 2020, informa o Cepea, embora o ritmo de valorização tenha diminuído na última semana. A cotação chegou a R$ 127,05 a saca de 50 quilos, com alta de 4,90% no acumulado de outubro.
O cenário reforça a expectativa de um mercado mais apertado até o fim da safra, com o clima ainda como principal fator de atenção para as próximas semanas.