As cotações internacionais do trigo seguem em baixa, pressionadas pela expectativa de uma safra volumosa na Argentina e pelo enfraquecimento das vendas externas dos Estados Unidos. No mercado doméstico, no entanto, os preços permanecem sustentados pela oferta limitada de cereal para moagem, mesmo diante da maior competitividade do produto importado.
Na segunda-feira (26/10), os contratos futuros de trigo com vencimento em dezembro fecharam em queda de 1,44% na bolsa de Chicago, a US$ 6,16 o bushel. Já no Paraná, o indicador Cepea/Esalq para o trigo pão ou melhorador registrou R$ 1.563,58 por tonelada, com alta de 0,21% no dia e avanço de 1,25% no acumulado de outubro.
No Rio Grande do Sul, o trigo brando foi negociado a R$ 1.503,06 por tonelada, um aumento de 2,01% em relação ao dia anterior e de 3,62% desde o início do mês.
Oferta restrita sustenta mercado interno
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) elevou a projeção para a produção argentina da safra 2026/27 de 21 milhões para 23,8 milhões de toneladas. Se confirmado, será o segundo maior volume dos últimos 17 anos, ainda dependendo das condições climáticas.
No Brasil, colaboradores do Cepea apontam que a maior parte do trigo colhido apresenta padrão feed, destinado à alimentação animal, e está sendo exportada. Com isso, a oferta de trigo para moagem fica restrita, o que explica a sustentação das cotações domésticas. As médias parciais de outubro, em termos reais — valores deflacionados pelo IGP-DI —, são as mais elevadas do ano, conforme levantamento do Cepea.