A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) deu início a conversas com empresas e representantes do setor avícola de outros países para reavaliar as consequências comerciais aplicadas quando há ocorrências da Doença de Newcastle em aves comerciais causadas pelo vírus de pombo (PPMV-1), e não pelo vírus típico da espécie infectada.
O foco da discussão é a infecção de perus em três granjas do oeste de Santa Catarina. De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), os perus estavam infectados com o vírus Pigeon Paramyxovirus 1, observado em pombos. Além das aves comerciais, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) confirmou a presença do vírus em pombos soltos no município de Marema.
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, explicou que o PPMV-1 não prejudica a saúde das aves nem de seres humanos, diferentemente de outras cepas de Newcastle típicas de frangos e perus. “O vírus que deve fechar o mercado é o vírus do bicho. Quando o vírus de Newcastle [típico] de perus infecta perus, ele mata o rebanho e, caso se espalhe, matará outros rebanhos, por isso tem de ter controle. Neste caso, estamos fazendo o controle [do vírus de pombo em granjas comerciais] como se fosse letal, mas ele não faz nada”, afirmou Santin.
O dirigente lembrou ainda que a carne de frango ou peru infectada com o vírus do pombo, se exportada, não seria consumida crua e, na produção de ração, passaria por cozimento a altas temperaturas, inativando o vírus.
Contexto histórico
Não é a primeira vez que a indústria avícola propõe revisar as consequências comerciais de doenças virais. Há mais de dez anos, a confirmação de influenza aviária de baixa patogenicidade fechava mercados, assim como hoje ocorre com o vírus de alta patogenicidade. Na época, Santin, então vice-presidente do Conselho Internacional Avícola (IPC), defendeu que não era necessário suspender exportações nesses casos. Hoje, apenas casos de gripe aviária de alta patogenicidade em granjas comerciais acarretam suspensões.
“Esse é o mesmo racional que podemos fazer para o PPMV-1 em aves comerciais. Se ele não prejudica as aves, não prejudica os humanos, não é contagioso, para que fechar mercados para evitar a transmissão da doença?”, questionou Santin.
As conversas tiveram início durante a Sial Paris, feira de alimentos encerrada na semana passada. “Precisamos repensar essas regras, em um mundo que precisa de comida e tem recursos escassos de água, solo, grãos. É preciso proteger as pessoas em primeiro lugar, os rebanhos, mas pensar em uma maneira que não crie dificuldade de levar comida para quem precisa”, concluiu.