Após os reajustes observados na quarta-feira (28/10), o mercado do boi gordo apresenta estabilidade nesta quinta-feira (29/10), impulsionado pela menor oferta de boiadas, que sustenta as cotações na maioria das regiões monitoradas.
Das 33 praças acompanhadas pela Scot Consultoria, 25 não registraram variações no preço da arroba na comparação diária. As altas ficaram concentradas em Belo Horizonte (MG), Dourados (MS), Cuiabá (MT), norte e sudoeste de Mato Grosso, oeste do Maranhão, Redenção (PA) e Espírito Santo.
Nas referências de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), o boi gordo segue cotado a R$ 385 por arroba para pagamento em 30 dias. Houve relatos de negócios a R$ 395, mas esses valores ainda não são praticados em volume suficiente para se tornarem referência, conforme a consultoria. O chamado “boi China”, a vaca e a novilha também não apresentaram mudanças.
No cenário de oferta, a participação de fêmeas no abate sob o Serviço de Inspeção Federal (SIF) caiu para 26,9% em outubro, aproximando-se da média dos cinco anos para o mês (26,6%). Esse movimento reforça a percepção de menor disponibilidade de animais.
Pelo lado da demanda, a indústria relata dificuldade em repassar os preços, com o escoamento da carne bovina perdendo ritmo no fim do mês. A Scot Consultoria, no entanto, avalia que isso está ligado ao menor poder aquisitivo da população nesse período — “com a virada do mês, o repasse pode se concretizar com mais força”.
No mercado externo, algumas indústrias começaram a abater para atender à demanda chinesa, ainda de forma tímida. A valorização recente do dólar melhora a competitividade das exportações e amplia a capacidade de pagamento dos frigoríficos. A oferta curta continua favorecendo os vendedores, mas a dificuldade de repassar os aumentos da arroba deve reduzir o ritmo de altas neste fim de mês. Para a Scot, a retomada do consumo doméstico em novembro e a intensificação das compras chinesas serão decisivas para os próximos movimentos.
Competitividade da carne bovina
De acordo com o Cepea, os preços da carcaça bovina no atacado da Grande São Paulo permanecem elevados frente às proteínas concorrentes. Na parcial de outubro até o dia 28, um quilo de carcaça bovina equivalia a 3,24 quilos de frango resfriado — há um ano, essa relação era de 2,71. Já em relação à carcaça suína, a relação ficou em 2,63 quilos, abaixo dos 3,14 de setembro, refletindo a alta de 20% no preço da carne suína no mês. Ainda assim, o número supera os 2,73 quilos registrados em outubro do ano passado.
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