Cutia: guia completo para criar o animal rústico e de baixo custo em sítios e fazendas

A cutia (Dasyprocta leporina) é um mamífero roedor conhecido por sua rusticidade, fácil adaptação ao cativeiro e baixo custo de manejo. Herbívora e precavida, ela não desperdiça comida – hábito que reduz um dos principais gastos da criação. O animal aproveita áreas ociosas de sítios, chácaras e fazendas, sendo uma alternativa econômica para quem deseja investir na preservação da fauna brasileira ou obter renda extra com a venda de matrizes e carne.

Características da cutia

Originária do Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, a cutia mede de 40 a 60 cm de comprimento, 15 a 20 cm de altura e pesa entre 2 e 4 kg. Sua pelagem áspera pode ser vermelha (Dasyprocta agouti), parda (Dasyprocta azarae) ou preta (Dasyprocta fuliginosa). De hábito diurno, alimenta-se pela manhã e início da tarde.

Alimentação

A cutia é herbívora e aprecia frutas (banana, maçã, laranja, mamão, acerola, abacaxi), sementes, coquinhos de palmeiras, castanhas, hortaliças, tubérculos, grãos (especialmente milho) e cana-de-açúcar. O produtor pode cultivar parte desses alimentos na própria propriedade, reduzindo a dependência de rações comerciais. Quando necessário, ração industrializada para coelhos serve como complemento nutricional. Troncos de goiabeira são ideais para a cutia roer e desgastar os dentes.

Instalações e manejo

Para um pequeno plantel, recomenda-se quatro baias de 3 x 4 m cada, suficientes para até cinco fêmeas e um macho. A construção deve ser em alvenaria, com cobertura total ou parcial. As baias são cercadas com tela tipo alambrado (fio 14, malha de 5 cm) do teto até uma mureta de 50 cm de altura. O piso cimentado facilita a limpeza e impede que o animal escape cavando. Um tanque de 1 m² e 25 cm de profundidade fornece água para banho e consumo.

Uma caixa-ninho de madeira ou alvenaria (2 m comprimento x 70 cm largura) por baia é suficiente. Forneça palha seca para a fêmea preparar o ninho. Em regiões frias, as instalações podem ser mais fechadas, mas com boa ventilação; em locais quentes, garanta arejamento com janelas grandes e teladas, beiral de 1,80 m e cumeeira de 2,50 m.

Reprodução

A gestação dura cerca de 104 dias, com dois partos anuais de, em média, dois filhotes cada. Separe as fêmeas antes do parto para evitar infanticídio. Os filhotes são desmamados aos três meses e transferidos para a baia de recria. Aos seis meses podem ser comercializados como matrizes; aos dez meses atingem maturidade sexual; aos 12 meses, com 3 a 4 kg, estão prontos para o abate.

Cuidados sanitários

As principais doenças são verminose e pneumonia. A prevenção inclui aplicação de vermífugos a cada três meses e controle da umidade nas baias. Recomenda-se assistência técnica bimestral de um profissional especializado.

Documentação e aquisição

Por ser animal silvestre, o criatório precisa de autorização do órgão estadual de gestão da fauna. É obrigatório contar com um profissional habilitado para elaborar e executar o projeto. Adquira os animais somente de criadores registrados e idôneos.

Potencial de renda

Além da venda de matrizes, a carne branca e saborosa da cutia pode ser comercializada para abate em estabelecimentos autorizados. A atividade também contribui para a regeneração florestal, já que o animal dispersa sementes pelo ambiente.

Consultor: Fabio Morais Hosken, zootecnista, doutor em produção animal – (31) 98417-4312, [email protected]

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