A ADM, uma das maiores comercializadoras de commodities agrícolas do mundo, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 821 milhões. O resultado representa avanço de 660% — ou 7,6 vezes — sobre os US$ 108 milhões registrados no mesmo período de 2025.
O lucro por ação ficou em US$ 1,70, contra US$ 0,22 um ano antes. A receita líquida somou US$ 22,335 bilhões, crescimento de 9,6% na comparação anual, ante US$ 20,372 bilhões.
Desempenho operacional
O lucro operacional dos três segmentos da companhia totalizou US$ 1,382 bilhão, 64% acima dos US$ 845 milhões do terceiro trimestre de 2025. O desempenho foi puxado por Serviços Agrícolas e Oleaginosas, cujo lucro líquido atingiu US$ 778 milhões, alta de 105%.
Dentro desse segmento, o processamento de grãos registrou lucro operacional de US$ 311 milhões, bem acima dos US$ 13 milhões de um ano antes. A ADM atribuiu o resultado às margens favoráveis de biocombustíveis na América do Norte, à maior demanda doméstica após a conclusão da política de Obrigação de Volume Renovável (RVO) em março e aos preços globais de energia mais elevados.
Os serviços agrícolas tiveram lucro operacional de US$ 172 milhões, recuo de 9% na comparação anual. Segundo a empresa, o resultado refletiu desempenho menor em alguns mercados da cadeia de suprimentos, parcialmente compensado pelo aumento das exportações de milho e soja da América do Norte.
A divisão de Produtos Refinados e Outros registrou lucro operacional de US$ 218 milhões, alta de 82%, impulsionada por margens favoráveis de biodiesel na América do Norte.
Carboidratos e nutrição
O lucro operacional da área de soluções de carboidratos chegou a US$ 470 milhões, crescimento de 40% sobre os US$ 336 milhões do terceiro trimestre de 2025. Já a área de nutrição, que reúne produtos para animais e humanos, somou US$ 134 milhões, alta de 3%.
O volume processado globalmente cresceu 1,6% na comparação anual, e a demanda por farelo de soja permaneceu forte no trimestre. Na América do Sul, porém, as margens de esmagamento foram pressionadas pelo atraso na implementação da política de biocombustíveis do Brasil.
Perspectivas para 2026
A companhia elevou a projeção de lucro por ação ajustado para o ano de 2026 para a faixa de US$ 5,50 a US$ 5,80. A estimativa anterior era de US$ 5,15 a US$ 5,60.
A previsão de gastos de capital foi atualizada para US$ 1,2 bilhão a US$ 1,3 bilhão, ante US$ 1,3 bilhão a US$ 1,5 bilhão. De acordo com a ADM, a mudança reflete a priorização contínua de investimentos de alto retorno.
O presidente do conselho e diretor executivo, Juan Luciano, afirmou que os resultados foram sustentados por um ambiente favorável aos biocombustíveis, pela ampla presença na América do Norte e pela execução da equipe. Ele destacou ainda que o desempenho acumulado no ano e as perspectivas para o quarto trimestre justificam o novo aumento na projeção de EPS.
Resultado acumulado
De janeiro a setembro, a ADM acumula lucro líquido de US$ 2,027 bilhões, 226% superior aos US$ 622 milhões do mesmo período de 2025. A receita líquida nos nove meses alcançou US$ 65,506 bilhões, avanço de 6,2% ante US$ 61,713 bilhões.