Bioeconomia: políticas públicas devem reconhecer diversidade de comunidades tradicionais

Diversidade social é chave para a sociobioeconomia

Durante o evento O Agro é Delas, promovido pela Globo Rural em São Paulo, especialistas destacaram que políticas públicas e linhas de crédito voltadas à sociobioeconomia precisam considerar os diferentes perfis de organização social das comunidades tradicionais. Para a pesquisadora em sistemas alimentares e assistente técnica de quilombolas, Fran Paula, a falta desse reconhecimento pode inviabilizar o acesso a esses programas.

“Se não reconhecemos a diversidade dessas pessoas, corremos o risco de criar políticas públicas que não serão acessíveis.” — Fran Paula

A pesquisadora também chamou atenção para a liderança feminina e para a matrilinearidade presente nessas comunidades. Segundo ela, a referência de mulheres como lideranças vem de gerações e precisa ser valorizada nas estratégias de desenvolvimento sustentável.

Mulheres no campo e sustentabilidade

Flavia Garcia Cid, produtora rural e vencedora do prêmio Fazenda Sustentável, reforçou que a presença feminina no campo amplia a visão sobre sustentabilidade social, ambiental e financeira. Para ela, as mulheres têm um olhar mais voltado ao social e ao ambiental, o que contribui diretamente para a aplicação de práticas sustentáveis nas propriedades.

“Temos um olhar mais ao social e ao ambiental e isso coopera muito para aplicar práticas sustentáveis na propriedade.” — Flavia Garcia Cid

A agricultora também destacou a importância da bioeconomia para o país. Na avaliação dela, a bioeconomia representa a possibilidade de trabalhar com sustentabilidade sem extinguir o que é renovável, aliando produção, conservação e geração de renda.

O debate reforça a necessidade de aproximar políticas públicas, crédito e inovação das realidades locais, colocando as comunidades tradicionais e as mulheres no centro das soluções para um futuro mais sustentável no agro.

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