A importação de trigo no Brasil deve chegar a 9 milhões de toneladas na safra 2026/27, número recorde para o setor, segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa. O anúncio foi feito durante o congresso da entidade, realizado no Rio de Janeiro.
De acordo com a Abitrigo, o aumento das compras externas se deve à redução expressiva na produção doméstica do trigo, resultado de uma combinação de fatores adversos, especialmente problemas climáticos que atingiram os principais Estados produtores da região Sul. Esses eventos levaram à perda de produtividade e qualidade do grão em diversas regiões.
“Como desdobramento direto dessa menor disponibilidade interna de trigo, o Brasil registrará um aumento recorde das importações, o maior dos últimos 30 anos”, afirmou Barbosa na abertura do evento. O dirigente também destacou o cenário internacional como desafiador para a indústria moageira no país.
“A volatilidade dos custos de produção e a oscilação dos preços internacionais influenciaram as decisões de plantio, resultando em uma área a ser colhida inferior ao potencial do campo”, completou.
Barbosa alertou que a soma dos percalços observados na safra deve resultar em alta nos preços. “Esse conjunto de fatores que pressionaram os custos do trigo em 26/27 afetará o preço da farinha e dos produtos derivados, como pães, massas e outros”, alertou.
Para o presidente do conselho deliberativo da Abitrigo, Daniel Kümmel, a atenção está voltada para a capacidade de importar o volume recorde do cereal. “O Brasil sempre importou. Nossos moinhos sabem fazer isso há décadas. O desafio é outro, é escala, nunca trouxemos tanto trigo de fora. A escala exige tudo ao mesmo tempo: porto, armazém, capital de giro, câmbio”, afirmou Kümmel.
Cenário internacional é desafiador para a indústria moageira do Brasil, afirma Abitrigo — Foto: Thinkstock