A beterraba forrageira pode ser uma alternativa promissora ao milho na alimentação de bovinos de corte durante o inverno. Um estudo conduzido pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, revelou que a carne de novilhos terminados com essa forrageira apresentou mais que o dobro de ácidos graxos ômega-3 em comparação com a carne de animais alimentados com dieta à base de milho em confinamento.
Segundo informações do portal La Nación, o trabalho avaliou a qualidade da carne de bovinos que consumiram beterraba forrageira em pastoreio direto. Os resultados foram comparados com os de animais alimentados em confinamento com uma dieta composta por 80% de milho inteiro e 20% de outros componentes. As amostras foram analisadas nos laboratórios do instituto em Castelar, província de Buenos Aires.
Além da diferença na concentração de ômega-3, os pesquisadores observaram uma relação entre ômega-6 e ômega-3 inferior a 3 na carne dos animais alimentados com beterraba. Já no grupo que recebeu milho, o índice ficou acima de 5. Segundo Verónica Favere, pesquisadora da Agência de Extensão Rural do Valle Medio do INTA, os ácidos graxos ômega-3 desempenham funções importantes no organismo humano. No entanto, o experimento avaliou a composição da carne, e não os efeitos de seu consumo sobre a saúde.
Alternativa para o inverno
O interesse pela beterraba forrageira surge justamente quando a oferta de pastagens e outros recursos alimentares diminui. Nos vales irrigados da região da Norpatagônia, na Argentina, o cultivo pode ser aproveitado em pastoreio direto durante o outono e o inverno. O INTA informou que a estratégia também apresentou custo de alimentação inferior ao de uma dieta de terminação em confinamento baseada em milho, embora não tenham sido divulgados valores absolutos nem o percentual de redução.
A planta tem potencial para produzir grandes volumes por hectare e pode ser consumida diretamente pelos animais, eliminando a necessidade de transporte para outras regiões na fase de engorda. Para Favere, a alternativa permite manter a atividade pecuária local durante períodos de menor disponibilidade de forragem e contribui para agregar valor à produção regional.
Diferenças na carne
A alimentação com beterraba também provocou alterações em outras características da carne. Os novilhos que consumiram a forrageira apresentaram carne com coloração mais escura e tendência a ser ligeiramente mais firme do que a dos animais terminados com milho. Ainda assim, as características permaneceram dentro dos parâmetros aceitáveis, e a gordura de cobertura teve coloração esbranquiçada semelhante nos dois grupos. De acordo com a pesquisa, a carne apresentou características comparáveis às de sistemas baseados em pastagens. Gabriela Grigioni, do Instituto de Tecnologia de Alimentos do INTA, observou semelhanças no perfil de gordura em relação à carne produzida nesses sistemas.