A Fazenda São José, localizada em Tapiratiba (SP) e dona da marca Fazenda Bela Vista, voltou a ocupar o primeiro lugar no ranking MilkPoint/Abraleite em 2026. Considerada a maior fazenda de leite do Brasil, a propriedade mais que dobrou sua produção diária nos últimos oito anos, saltando de 47 mil para 102 mil litros por dia em 2025.
Bem-estar animal como alicerce
O cuidado com o rebanho é um dos pilares desse avanço. As 2.750 vacas em lactação passam por até seis banhos por dia, antes e depois da ordenha. O sistema, inspirado em modelos internacionais, vai além da higiene: garante conforto térmico em uma região onde o termômetro pode ultrapassar os 35°C no verão. “O gado holandês é muito sensível ao estresse calórico”, explica Sérgio Ferraz Ribeiro Filho, diretor-geral da fazenda.
Investimento para ampliar a industrialização
A meta agora é alcançar 150 mil litros por dia em três anos. Para acompanhar o crescimento da oferta de matéria-prima, a propriedade investe R$ 15 milhões na ampliação do laticínio, localizado na mesma área, a cerca de 300 km de São Paulo. O investimento inclui pasteurizador, homogeneizador, nova linha de envase, empacotamento, rotulagem, ampliação das instalações, estocagem e câmara fria.
A fábrica de lácteos, que hoje tem 1.480 metros quadrados, foi projetada para processar 630 mil litros por mês, mas já processa mais de 2 milhões de litros mensais. Com a ampliação de 2.050 metros quadrados, a capacidade pode chegar a 6 milhões de litros por mês. A nova linha deve começar a operar em 5 de novembro.
A produção de iogurte também vai crescer, passando de 74 para 156 toneladas por semana. Uma nova máquina para embalagens de 250 ml e 500 ml foi instalada para ampliar a distribuição no Estado de São Paulo, inclusive em regiões mais distantes. A estratégia inclui o lançamento de uma linha de iogurtes com whey protein ainda neste ano, aproveitando a demanda aquecida da categoria.
História e evolução genética
A Fazenda São José foi iniciada em 1960 por Orostrato Olavo Silva Barbosa, conhecido como “rei do leite”, avô do atual diretor-geral. Na época, a produção era de cerca de 70 litros por dia, com gado criado a pasto e ordenha manual. A raça predominante era o dinamarquês cruzado com o holandês. Depois, a propriedade trabalhou com o gir, até adotar definitivamente o holandês, que hoje representa 100% do plantel.
Em 1987, a fazenda foi pioneira no Brasil ao adotar o modelo de confinamento free stall, com camas individuais. Em 2019, começou a utilizar o compost barn, no qual as vacas descansam em espaço coberto com serragem e esterco compostado. A mudança proporcionou uma recria mais tranquila, com menos doenças, permitindo que os animais expressem todo o potencial genético.
Com isso, a produção média por vaca subiu de 28 litros/dia para 42 litros/dia. Hoje, mais da metade do rebanho já registra média de 49 litros por dia.
Reprodução no centro da operação
Outro fator decisivo foi o foco na reprodução. Quando o veterinário Tiago Carneiro chegou à fazenda, em 2019, o intervalo entre partos era de 17 meses, com taxas de serviço de aproximadamente 40% e de concepção de 25%, resultando em taxas de prenhez de 10%. Com a melhoria da eficiência reprodutiva, o intervalo entre partos caiu para 13 meses, e a idade no primeiro parto passou de 28 para 22 meses.
A taxa de prenhez das novilhas agora se aproxima de 38%. Ao emprenhar as vacas mais rapidamente, a fazenda passou a ter mais animais no início da lactação, fase em que a produção de leite é maior. “A vaca precisa parir para dar leite”, resume o veterinário, destacando que a redução do intervalo entre partos é essencial para o aumento da produção.