A FS, segunda maior produtora de etanol de milho do Brasil, anunciou a venda de 10 mil créditos de remoção de carbono vinculados ao seu projeto de injeção de gás carbônico no subsolo. O acordo foi fechado com a Freepoint Commodities Europe LLP, subsidiária da comercializadora norte-americana Freepoint Commodities LLC.
Pelo contrato, a FS deverá validar e certificar os créditos conforme os padrões da certificadora Gold Standard e submeter o projeto a uma análise de risco (pré-rating). A expectativa é realizar o registro do projeto em julho deste ano.
A companhia está construindo sua unidade de captura e armazenamento de carbono a partir de bioenergia (BECCS, na sigla em inglês) em Lucas do Rio Verde (MT), após obter a licença de instalação em novembro de 2025. O carbono emitido em seu processo industrial será injetado de forma permanente nos reservatórios sedimentares salinos da Bacia dos Parecis. A previsão é que a unidade comece a operar em setembro de 2026.
O investimento recebeu apoio do BNDES, que concedeu um financiamento de R$ 384,3 milhões para a construção da unidade injetora. “Os resultados positivos dos testes de injetividade e o início da injeção de CO₂ previsto para setembro de 2026 dão confiança ao mercado de que este será o primeiro projeto de BECCS do Hemisfério Sul Global”, afirmou Daniel Lopes, vice-presidente de Novos Negócios e Sustentabilidade da FS, em nota.
O projeto prevê a captura de 423 mil toneladas de gás carbônico por ano, ao longo de 30 anos, totalizando 12 milhões de toneladas de carbono armazenadas no subsolo. Recentemente, a Gold Standard concedeu ao projeto o selo “First of its Kind”, por ser um projeto inovador em larga escala para remover carbono da atmosfera, o que permite à certificação se estender por 15 anos a mais do que o padrão, totalizando 45 anos.
A FS já havia realizado vendas futuras de créditos de remoção de carbono no ano passado para empresas como Pinheiro Neto Advogados, SLB e Rubicon Carbon & YvY Capital.