O recente foco da Doença de Newcastle confirmado em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, Santa Catarina, deve ter impacto limitado sobre as vendas das principais empresas do setor avícola, de acordo com uma análise do banco J.P. Morgan.
Segundo o relatório, Santa Catarina responde por cerca de 10% a 20% das exportações de carne de frango da MBRF e da JBS/Seara. A instituição projeta que os prejuízos às vendas serão menores em comparação com o surto registrado em julho de 2024, no Rio Grande do Sul.
“Desta vez — a menos que ocorra um surto de grande escala —, acreditamos que o impacto possa ser ainda menor, uma vez que diversos países alteraram seus protocolos de restrição, passando a adotar critérios baseados em um raio geográfico, em vez de proibições em nível nacional ou estadual”, afirmaram os analistas.
No surto de 2024, a maior parte das restrições dos importadores foi suspensa em cerca de um mês, e o impacto no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) das companhias foi limitado. As exportações brasileiras de carne de frango caíram 100 mil toneladas no mês de restrições, mas se recuperaram rapidamente.
No caso da MBRF, à época ainda BRF antes da fusão com a Marfrig, o Ebitda internacional subiu de R$ 1,49 bilhão no segundo trimestre de 2024 para R$ 1,63 bilhão no trimestre seguinte. A JBS também não registrou impacto material, com o Ebitda da Seara avançando de US$ 387 milhões para US$ 461 milhões no mesmo período, com margem subindo de 17,4% para 21%.
Unidades da BRF e da JBS no Rio Grande do Sul foram afetadas por restrições chinesas que se prolongaram até janeiro de 2026. Agora, China suspendeu importações de produtos avícolas de Santa Catarina, e México suspendeu as compras de todo o Brasil.
Apesar das restrições, a expectativa do J.P. Morgan é de que o impacto financeiro seja contido, dada a mudança nos protocolos internacionais e a experiência anterior.