Nespresso alcança redução inédita de emissões líquidas de CO₂ após década de investimentos

Após investir 1,2 bilhão de francos suíços (cerca de US$ 1,49 bilhão) ao longo de dez anos em programas de sustentabilidade, a Nespresso conseguiu, pela primeira vez, reduzir em 3% as emissões líquidas globais de gases de efeito estufa em relação ao ano-base de 2018. O resultado, alcançado em 2025, foi divulgado com exclusividade ao Valor. Com isso, as emissões líquidas ficaram em 1,15 milhão de toneladas de CO₂ equivalente.

A controlada da Nestlé, que criou a categoria de cápsulas de café, também atingiu 100% de eletricidade de fontes renováveis no mesmo período. A redução foi impulsionada por um conjunto de iniciativas globais, com destaque para o Plano Nespresso de Qualidade Sustentável, que integra qualidade, práticas de agricultura regenerativa, inclusão social e rastreabilidade total do produto. O programa, iniciado em 2003 com 300 agricultores na Costa Rica, hoje abrange 131 mil produtores em 18 países.

No Brasil, a marca investe cerca de R$ 70 milhões por ano em aproximadamente 500 fazendas de café parceiras, que respondem por cerca de 30% do volume de café adquirido pela Nespresso no mundo. “Nossos investimentos na transição para a agricultura regenerativa estão impulsionando avanços concretos. Os resultados de cada investimento são colhidos com consistência e a longo prazo”, afirma Daniel Motyl, gerente de café verde na Nespresso Brasil.

Um dos pilares da estratégia é a agricultura regenerativa. De acordo com auditoria independente da Enveritas, 85% do café verde da marca é produzido em fazendas participantes do Plano Nespresso de Qualidade Sustentável. A empresa oferece suporte técnico e incentivo financeiro para estimular práticas como uso de fertilizantes orgânicos, biochar e monitoramento ambiental. Em 2025, foram plantadas mais de 2 milhões de árvores em regiões do plano, sendo 1,9 milhão destinadas especificamente à remoção de carbono.

A economia circular também contribuiu para a redução das emissões. Atualmente, 33% das cápsulas vendidas pela Nespresso no mundo são recicladas, com meta global de 50% até 2030. No Brasil, 100% dos consumidores têm acesso a pelo menos um método de reciclagem: mais de 400 pontos de coleta, 42 boutiques Nespresso ou envio pelos Correios. O material coletado é encaminhado ao centro de reciclagem em Valinhos (SP), onde o alumínio e a borra de café são separados e reinseridos em novas cadeias produtivas. A borra de café, por exemplo, é usada na produção de biometano, em parceria com a Crivellaro Ambiental, iniciativa que pode evitar a emissão de 857 toneladas de carbono equivalente por ano. O projeto processa até 850 toneladas de borra de café por ano.

Outra parceria, com a Natura Ekos desde 2024, utiliza o alumínio das cápsulas recicladas na composição de bisnagas de hidratante, permitindo o reaproveitamento de mais de 2 toneladas de cápsulas por ano.

Em inclusão social e geração de renda, 5,3 mil cafeicultores participaram do piloto do modelo Living Income Reference Price (LIRP) em Caldas, na Colômbia, em 2025. A iniciativa garante remuneração mais estável e sustentável, com meta de que todos os pequenos produtores do Plano Nespresso recebam o LIRP até 2030. No Brasil, os cafeicultores parceiros recebem um bônus sobre o preço de mercado para valorizar a produção sustentável. Recentemente, a Nespresso investiu R$ 5,4 milhões em 130 fazendas para subsidiar a compra de insumos sustentáveis, como o biochar.

O Brasil é o maior fornecedor global de cafés verdes para a Nespresso, respondendo por 30% do volume mundial. Desse total, 90% vêm de fazendas com práticas regenerativas e rastreabilidade total da cadeia produtiva. A empresa conta com 22 técnicos agrícolas e agrônomos no Brasil e 645 no mundo para treinar e orientar produtores.

Pesquisas internas indicam que cafeicultores integrados ao programa de sustentabilidade têm melhoria média de 41% nas condições econômicas, 52% nas ambientais e 22% nas sociais, em comparação com os que não participam. Os dados fazem parte do relatório global anual de sustentabilidade da Nespresso, que também destaca a recertificação da marca como empresa B Corp, com 105,4 pontos na Avaliação de Impacto B, resultado 25% superior ao critério de aprovação.

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