Safra de vinho na França deve ser uma das piores em três décadas devido a extremos climáticos

Apesar de uma previsão otimista do Ministério da Agricultura francês, a produção de vinho no país deve registrar um dos volumes mais baixos dos últimos 30 anos. De acordo com a agência Reuters, o segundo maior produtor mundial de vinho deve colher 34,9 milhões de hectolitros em 2026, número superior à estimativa anterior de 33,9 milhões, após colheitas melhores que o esperado na região de Languedoc-Roussillon, principal polo produtor.

No entanto, o volume representa uma queda de 2% em relação à já fraca safra de 2025 e de 14% ante a média dos últimos cinco anos (2021-2025). O governo francês atribui o desempenho a uma combinação de eventos climáticos adversos, como calor extremo, seca, geadas e granizo, que afetaram diferentes regiões vinícolas de forma desigual.

Em Languedoc-Roussillon, as chuvas no fim do verão ajudaram a recuperação, e a produção deve ficar 2% acima da média do quinquênio. Já em Champagne, a colheita terminou no início de setembro, no período mais precoce já registrado, mas a produção caiu pela metade em relação a 2025 e à média de cinco anos, devido a geadas, granizo, seca e calor.

As regiões de Borgonha-Beaujolais, Loire, Charentes, Jura e Sudeste também registraram quedas. Em Bordéus, a produção ficou 10% acima da colheita de 2025, mas ainda 11% abaixo da média, em razão do arrancamento de vinhas pelos agricultores diante da queda no consumo. Na Alsácia, a produção ficou ligeiramente abaixo da de 2025, enquanto Saboia teve safra satisfatória.

No mês passado, o governo francês anunciou um pacote de ajuda emergencial de mais de 1 bilhão de euros para os agricultores afetados.

Foto: Getty Images — Governo francês espera uma produção de vinho 14% menor em relação à média de 2021 a 2025.

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