O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira (25/6) a paralisação de fábricas do setor de fertilizantes no país e afirmou que parte do agronegócio nunca apoiou a expansão da produção nacional. A declaração ocorreu durante cerimônia de retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS).
“O Brasil pagando preços absurdos de fertilizantes, que poderiam ser produzidos no Brasil, que aumenta a cada guerra que alguém quer dar no outro lá fora. O pobre brasileiro, que vai comprar uma fruta, uma comida, paga o preço dessa guerra, por irresponsabilidade de muita gente, não é só do governo. Muita gente do agronegócio nunca se preocupou em que a gente tivesse fábrica de fertilizante aqui [no Brasil], porque era muito barato importar”, afirmou.
Em seu discurso, Lula também defendeu a Petrobras e afirmou que, embora o governo não interfira na gestão da companhia, “não abre mão” de discutir estrategicamente o papel da empresa para o desenvolvimento do país. “Porque vira e mexe aparece um governante neste país que quer vender a Petrobras”, disse.
Sem citar Jair Bolsonaro, o presidente criticou a gestão anterior e afirmou que há “muita gente travestida de investidor” que, na verdade, atua como “vendedor de coisas públicas a preço de banana”. “Quando a gente [PT] sai [do governo] colocam os diretores ‘tudo gênio’”, ironizou.
No evento, a Petrobras assinou contratos com as empresas vencedoras das licitações para a conclusão da UFN-III. A fábrica integra o Novo PAC e receberá investimentos superiores a R$ 5 bilhões. Com obras paralisadas desde 2015, a retomada foi aprovada após reavaliação da Petrobras que apontou viabilidade técnica e econômica. O início da operação comercial está previsto para 2029.
Quando concluída, a UFN-III terá capacidade para produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia granulada e 2,2 mil toneladas de amônia, o equivalente a cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano. A produção deverá atender quase 16% da demanda nacional pelo insumo.