O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou nesta quinta-feira (30/07) que o impasse entre Brasil e União Europeia sobre o uso de antimicrobianos e o possível veto às exportações de proteínas animais brasileiras a partir de setembro é uma “questão diplomática” e será resolvido por meio de pactuação entre as partes. Ele declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está “envolvido pessoalmente” no tema e que em breve haverá “boas notícias”.
“Essa é uma questão, sobretudo, diplomática. Isso vai se resolver em uma pactuação, em uma negociação. Estamos cumprindo essas etapas”, afirmou a jornalistas após a abertura do Outlook Agro Brasil, evento realizado pelo Ministério da Agricultura e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília. “O presidente Lula está envolvido pessoalmente nessa questão e acho que vamos ter em breve boas notícias”, completou.
Na semana passada, o Ministério da Agricultura divulgou uma nota em tom mais duro contra as exigências de comprovação de controle da vida inteira dos animais pela UE. “Essa discussão se dá em campo técnico, e o Ministério da Agricultura tem participado de diversas reuniões entre a SDA [Secretaria de Defesa Agropecuária] e a DG Santé [autoridade sanitária europeia]. Em alguns momentos, podem existir críticas que não são justas e respostas do nosso pessoal também”, comentou André de Paula.
Em maio deste ano, a União Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países aptos a exportar proteínas animais para lá por falta de comprovação do não uso de antimicrobianos ao longo do ciclo completo de vida de aves, bovinos e pescados. O regulamento europeu foi aprovado em 2019 e regulamentado em 2023, e o veto começará a valer em 3 de setembro. O governo brasileiro tem conhecimento das exigências desde então. O Ministério da Agricultura tentou mobilizar o setor privado para criar mecanismos de controle. Em maio, a Pasta homologou um protocolo privado de bovinos livres de antimicrobianos. O acompanhamento do ciclo completo da vida, no entanto, demandará ao menos dois anos, do nascimento ao abate para envio de carne aos europeus.
Em julho, uma nova etapa de fiscalização oficial foi adotada na cadeia avícola para tentar comprovar o controle dos insumos. A expectativa é que a medida viabilize a continuidade das exportações em setembro. Uma missão da UE fará auditoria no modelo para decidir sobre a retomada da autorização ou não para o comércio desses produtos.
Por Rafael Walendorff — Brasília, 30/07/2026